Como o empresariado alemão vê Bolsonaro

Executivos alemães no Brasil não parecem preocupados com um eventual presidente de extrema direita: importante é ele introduzir as reformas necessárias, dizem. Caso contrário, o agravamento da crise será inevitável.Com grande probabilidade, o candidato nacionalista de direita Jair Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. Nas pesquisas de intenção de voto, ele aparece com grande vantagem à frente do petista Fernando Haddad. E a economia alemã e suas empresas no Brasil, que representam cerca de 10% do PIB industrial nacional, não parecem ter nada contra isso.

Conversas com meia dúzia de representantes da economia alemã em São Paulo nos últimos três dias permitem tirar um consenso: os empresários esperam que depois do 28 de outubro os tempos de instabilidade cheguem ao fim. Se 60% dos brasileiros se decidirem por um candidato, dizem, é preciso respeitar essa decisão.

Para a maioria dos eleitores, ponderam, o ex-militar parece mais convincente do que seu adversário em temas como o combate à corrupção, a segurança e, acima de tudo, a economia.

Os CEOs alemães não veem na crescente popularidade de Bolsonaro um indício de uma guinada política para a direita, mas, acima de tudo, um sinal de protesto: os brasileiros querem mudança na segurança, novas cabeças na política e um fim da corrupção.O passo decisivo agora, segundo os empresários, será Bolsonaro dar início imediato às reformas da aposentadoria e tributária, a fim de reduzir o déficit orçamentário: o Brasil precisa sinalizar que acordou em relação a esses temas. Também aqui em nada os perturbam as declarações do candidato sobre a economia, nas últimas semanas, que foram, na melhor das hipóteses, contraditórias.Caso também sob o novo presidente o Brasil falhe em trilhar um caminho de reforma econômica, aí o agravamento da crise será inevitável. Nos últimos dias chegaram mais dados comparativos decepcionantes sobre a posição do país na economia mundial.

Entre eles, os índices divulgados pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD): com 22% a menos no primeiro semestre, o Brasil acusou a maior queda de investimentos estrangeiros entre as nações emergentes.

Outro golpe é a nova perda de competitividade como centro econômico, segundo o Fórum Econômico Mundial: desde 2014, o país caiu da 57ª para a 81ª posição, de um total de 137, os investimentos das empresas alemãs se deslocaram cada vez mais para a Ásia.

Fontes: DW

Categorias:Américas, Política

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