As autoridades do Sri Lanka afirmaram nesta terça-feira (23) que os atentados suicidas, que deixaram mais de 300 mortos em igrejas cristãs e hotéis de luxo no fim de semana, foram uma espécie de retaliação ao massacre em mesquitas ocorrido em março último na cidade de Christchurch, na Nova Zelândia.

“Esse grupo National Thowfeek Jamaath (NTJ), que realizou os ataques, tinha ligações estreitas com a organização Jamaat-ul-Mujahideen India – JMI, conforme foi revelado agora”, disse o vice-ministro da Defesa, Ruwan Wijewardene, ao Parlamento cingalês.

O Sri Lanka está sob estado de emergência e o presidente Maithripala Sirisena concedeu aos militares um amplo raio de ação para deter e prender suspeitos – poderes que foram usados durante os 26 anos de guerra civil, mas retirados quando ela terminou em 2009.

A polícia local prendeu ao menos 40 suspeitos. As autoridades elevaram para pelo menos 310 o número de mortos, enquanto mais de 500 pessoas seguem hospitalizadas.

O presidente cingalês declarou hoje Dia de Luto Nacional. Durante os funerais de cidadãos cingaleses mortos nos ataque de domingo foram observados três minutos de silêncio. Também foram erguidas bandeiras pretas e brancas na maioria das cidades do país.

Os atentados de domingo reviveram o estado caótico instalado no Sri Lanka nos 26 anos de guerra civil, de 1983 a 2009, entre as forças governamentais e a organização separatista conhecida como “Tigres de Tâmil”.

Os ataques contra minorias religiosas no Sri Lanka vêm se repetindo desde 2018, quando o governo teve que declarar estado de emergência depois de confrontos entre muçulmanos e budistas. No Sri Lanka, a população cristã representa 7%, enquanto os budistas são cerca de 70%, os hinduístas 15%, e os muçulmanos 11%.

*Com informações da Deutsche Welle

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