Em entrevista exclusiva à Deutsche Welle nesta terça-feira (30/04), o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela e autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, assegurou que os militares estão a favor da mudança de poder, “apesar de muita perseguição interna nas Forças Armadas, de agentes da inteligência cubana, inclusive”.

“Mas é evidente não somente que a maioria dos cidadãos e da comunidade internacional, mas também as Forças Armadas não mais respaldam Maduro.”

“Evidentemente houve uma usurpação de poder”, ressaltou Guaidó, referindo-se ao presidente venezuelano, Nicolás Maduro. “Ele não reconheceu o Estado de direito, ele não reconheceu nossa Constituição, se apoderou do poder, oprimia as pessoas”, acrescentou o líder reconhecido como chefe de Estado interino do país por dezenas de países.

“Hoje, as Forças Armadas deram um passo importante em reconhecer o valor da Constituição e o valor do povo, sobretudo. Apesar dessa incerteza toda, aconteça o que acontecer, seguiremos adiante”, frisou.

Guaidó descartou que seu movimento queira provocar derramamento de sangue, sublinhando que se pauta por encaminhar um processo de mudança de poder de forma pacífica. “Nosso processo, nosso movimento, sempre disse, é pacífico, tendo como base nossa Constituição. Assim se vai manter e assim vamos mantê-lo”, assegurou, alegando que a violência ocorrida até agora teria partido do regime Maduro e seus simpatizantes.

O oposicionista sublinhou, ainda, ter convicção de que a democracia “voltará à Venezuela, com a presença do povo nas ruas, com o respaldo das Forças Armadas e da comunidade internacional”.

Num vídeo  discursando ao lado de vários militares dissidentes, divulgado nesta terça-feira no Twitter, enfatizou que os militares do país deram “finalmente, e de vez, o passo” para acompanhá-lo e conseguir “o fim definitivo da usurpação” do governo Maduro.

O líder convocou às ruas todos os venezuelanos que se comprometeram nas últimas semanas a se manifestarem para exigir a saída de Maduro. Ao lado de Guaidó também estava o oposicionista venezuelano Leopoldo López, que foi libertado nesta terça-feira em Caracas, onde cumpria pena de quase 14 anos de prisão domiciliar.

O ministro da Comunicação venezuelano, Jorge Rodríguez, comunicou que o governo de Maduro estaria se defrontando com um golpe de Estado: “Informamos ao povo da Venezuela que estamos neste momento enfrentando e desativando um pequeno grupo de militares traidores que se posicionaram no Distribuidor Altamira para promover um golpe de Estado e contra a Constituição e a paz da República.”

* Deutsche Welle (Agência pública da Alemanha)

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