Embora Cuba viva há mais de meio século sob um bloqueio americano, a decisão de Washington de ativar o Título III da Lei Helms-Burton provocou um novo ressentimento entre os cidadãos do país caribenho.

A polêmica lei permite que cidadãos americanos ingressem com ações judiciais sobre propriedades nacionalizadas ou confiscadas pelo governo cubano após a revolução.

A lei foi aprovada em 1996, mas devido ao seu caráter extraterritorial, por mais de 23 anos, o Título III da lei permaneceu suspenso – até que a administração Trump a ativou totalmente na semana passada.

A ativação total da Lei Helms-Burton é vista pelo país insular como punição pelo apoio de Cuba ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que agora enfrenta desafios do líder da oposição, Juan Guaidó.

“Isso é mais do mesmo que o que vimos nos últimos anos”, disse o soldado aposentado José González à Xinhua, referindo-se às sanções do Título III.

Os cubanos estão acostumados a “viver entrincheirados desde 1959, porque os Estados Unidos têm um apetite histórico” pela ilha, segundo González.

Ela disse que Washington sempre viu a América Latina como seu quintal, “no qual tem aplicado sucessivas políticas de domínio imperial, como o Destino Manifesto, a Política de Frutas Maduras e a Doutrina Monroe”.

A Revolução Cubana, um processo socialista radical, atingiu duramente a hegemonia regional da América, que iniciou uma política de confrontação quase imediatamente após a entrada de Fidel Castro em Havana.

Milena Ortega, médica cubana que realizou uma missão médica na Venezuela, está cética quanto às alegações feitas pelas autoridades norte-americanas de que Cuba tem milhares de soldados estacionados na Venezuela.

“Na realidade, há milhares de médicos que mantêm um sistema de saúde que já salvou milhares de vidas como parte de um acordo de cooperação assinado entre Fidel (Castro) e (Hugo) Chávez em 2000”, disse Ortega.

Segundo Ortega, 20 mil médicos cubanos trabalham na Venezuela porque o país insular “manterá seu compromisso com a saúde do povo venezuelano”.

Em troca desses médicos, Cuba recebe petróleo com desconto, mas a entrega desse petróleo tem sido complicada nos últimos meses devido à situação na Venezuela.

A diminuição do transporte de combustível e a incerteza entre os investidores estrangeiros gerada pelo Título III da Lei Helms-Burton complicaram um pouco mais a vida cotidiana dos cubanos.

Um relatório apresentado por Cuba no ano passado às Nações Unidas afirmou que os danos acumulados nas quase seis décadas do bloqueio chegaram a mais de US$ 933 bilhões.

A advogada cubana Alina Ramos destacou que a Lei Helms-Burton “não só é injusta como também ilegal”, já que nenhuma nação pode legislar e aplicar leis em um país estrangeiro.

“Esta é uma violação flagrante do direito internacional”, disse ela, “e está apenas procurando deter o investimento estrangeiro em Cuba”.

*Com informações da Agência Xinhua

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