O jornal venezuelano Panorama saiu às bancas nesta terça-feira pela última vez em 104 anos de circulação devido à falta de papel, uma situação que aflige quase toda a imprensa escrita local.

“Tentamos prorrogar a existência de nosso jornal. Mas, apesar de tanto esforço, hoje, com o coração apertado, temos que apresentar a vocês nossa última edição impressa”, explica o editorial do jornal mais antigo do estado de Zulia.

De linha independente, Panorama era o único meio impresso ainda existente em uma região afetada há uma década por apagões de energia que se intensificaram em março passado.

O fechamento de 75% dos comércios de Zulia desde o ano passado, segundo dados do sindicato patronal Fedecâmaras, provocou uma queda abrupta dos gastos de publicidade no jornal, que já havia limitado o número de cópias em circulação e, agora, se concentrará em sua versão web.

Devido a escassez de material, desde 2013 o país já perdeu 67 veículos impressos.

Em dezembro de 2018, a edição impressa do El Nacional, um jornal emblemático fundado em 1943 pelo escritor venezuelano Miguel Otero Silva, parou de circular. Antes, em dezembro de 2016, também deixou de ser impresso o jornal El Impulso, o mais antigo da Venezuela, com 114 anos.

*Com informações da AFP e Estadão

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