Manifestantes, sobretudo estudantes e professores, saíram às ruas nas principais cidades do Brasil nesta quarta-feira (15) contra a redução do orçamento das universidades federais e o bloqueio de bolsas de pesquisa.

Os atos foram convocados por entidades ligadas a sindicatos, partidos políticos e movimentos estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Segundo a CNTE, protestos foram convocados nas 27 capitais brasileiras e em várias cidades do país.

Questionado sobre os atos, Bolsonaro fez críticas aos manifestantes, descrevendo-os como “idiotas úteis”, “militantes” e “massa de manobra”, que seriam manipulados por “uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais”.

“É natural [que sejam realizados protestos], mas a maioria ali é militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, não sabe nada”, afirmou o presidente sobre os estudantes que protestam contra o corte de verbas. A fala foi proferida em sua chegada a Dallas, nos Estados Unidos, em entrevista coletiva em meio a apoiadores.

Os atos de 15 de maio foram convocados após o anúncio de cortes e congelamentos feito pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que foi chamado para explicar as medidas nesta quarta-feira em sabatina na Câmara dos Deputados.

O bloqueio de verbas nas universidades federais chega a 2 bilhões de reais, 30% do total de despesas discricionárias, aquelas que não são obrigatórias. 

No Texas nesta quarta-feira, Bolsonaro disse que seu governo não gostaria de fazer cortes na educação, mas que a medida é necessária dada a situação deixada pelos governos anteriores.

“A gente pegou o Brasil destruído economicamente também, com baixa nas arrecadações, afetando a previsão de quem fez o orçamento, e se não tiver esse contingenciamento eu simplesmente entro contra a lei de responsabilidade fiscal. Então não tem jeito, tem que contingenciar.”

O presidente ainda aproveitou para fazer críticas à educação no Brasil, um setor que “está deixando muito a desejar”. “Se você pega as provas, que acontecem de três em três anos, está cada vez mais ladeira abaixo. A garotada, com 15 anos de idade, na oitava série, 70% não sabe uma regra de três simples. Qual o futuro destas pessoas?”, questionou.

Convocado para prestar esclarecimentos na Câmara sobre os cortes, Weintraub seguiu o tom de Bolsonaro e afirmou que o atual governo não pode ser responsabilizado pelo cenário da educação no Brasil.

“A evolução que a educação teve nos últimos anos no Brasil não tem nada a ver com o atual governo. Porque não foi evolução, foi involução”, declarou o ministro. “Não somos responsáveis pelo contingenciamento atual, o orçamento atual foi feito pelo governo eleito de Dilma Rousseff e Michel Temer, que era vice. Não somos responsáveis pelo desastre da educação, não votamos neles.”

*Com informações da DW

 

 

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