A China se tornou “uma porta” para o desenvolvimento da infraestrutura na América Latina sem impor modelos econômicos a seus parceiros da região, assegurou quinta-feira (16) o acadêmico argentino Javier Vadell.

“A China tem a diferença de não impor um modelo a outros países. Desde o Ocidente sim se impõem modelos, baseados na financialização da economia e não no desenvolvimento”, indicou Vadell, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do estado de Minas Gerais (sudeste do Brasil), em entrevista à Xinhua.

Vadell, também membro da Rede de Estudos Brasil-China (RB China), sublinhou que a infraestrutura é o principal motor de investimentos da China.

Para Vadell, a China experimentou internamente ao longo da história a importância que a infraestrutura dá a ela e tem a vantagem de que sua forma de investir e de fazer comércio “não gera dependência, como sim o fazem outros modelos de relação entre nações”.

O especialista recordou que na segunda reunião ministerial do Fórum China-CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), realizada no Chile em janeiro de 2018, a China convidou todos os países da região para incorporar-se à Iniciativa do Cinturão e Rota.

“A Iniciativa do Cinturão e Rota é uma iniciativa global a que se aderiu um país do G7, como é a Itália. Na América Latina pode ser um multiplicador dos investimentos de infraestrutura”, opinou.

Quanto ao Brasil, que tem a China como o maior parceiro comercial há uma década, Vadell disse que “o aprofundamento das relações sino-brasileiras são um caminho sem retorno” pela variedade e volume da agenda de comércio e investimentos bilaterais e dentro de blocos como o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Acrescentou que a China “não só procura um papel político e econômico, mas também cultural na América Latina”, e deu como exemplo a abertura, em 10 de maio, do Centro de Estudos sobre a China, que a Academia Chinesa de Ciências Sociais abriu na Universidade de Campinas.

*Xinhua

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