Antes de visitar a Argentina pela primeira vez desde que assumiu o poder, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta sexta-feira que espera que os eleitores do país vizinho optem por um candidato de centro-direita nas eleições presidenciais que serão realizadas em outubro.

Em entrevista ao jornal argentino “La Nación”, Bolsonaro disse que a ex-presidente Cristina Kirchner, que divide a liderança das pesquisas com o atual presidente do país, Mauricio Macri, tem ideias semelhantes às do PT e de outras lideranças políticas da esquerda latino-americana.

“Espero que o coração dos eleitores argentinos bata nesse momento e que eles vejam realmente que futuro querem. Um povo que tem sua liberdade ameaçada pede aquilo que é mais importante para seu futuro. Nós estamos fazendo força para que o povo argentino eleja um candidato de centro-direita como fizeram Brasil, Paraguai, Chile, Peru e Colômbia”, disse o presidente na entrevista.

“Cristina Kirchner foi muito aliada de Lula e de Dilma (Rousseff). E o que Lula e Dilma defendiam aqui, via Foro de São Paulo, com apoio incondicional de (Hugo) Chávez, depois de (Nicolás) Maduro e da ditadura cubana, é uma experiência que nós não queremos repetir.

Espero que o povo argentino reflita muito sobre isso para as eleições”, afirmou Bolsonaro. O presidente tem feito reiteradas críticas a Cristina nos últimos meses e chegou a afirmar que está mais preocupado com a situação da Argentina do que com a crise enfrentada pela Venezuela.

No início do mês, em cerimônia de formatura da turma do Instituto Rio Branco, no Ministério de Relações Exteriores, Bolsonaro chegou a declarar, sem citar nominalmente a ex-presidente argentina, que “ninguém quer outra Venezuela no nosso continente”.

Na reunião com Macri, Bolsonaro discutirá, entre outros assuntos, o acordo comercial que está sendo negociado por Mercosul e União Europeia.

Ao “La Nación”, o presidente disse estar otimista quanto à possibilidade de fechar um pacto com o bloco europeu e considera que faltam apenas “pequenos detalhes” para concluir o processo.

“Vamos tratar de várias outras medidas de cooperação, vou com vários ministros para lá: o de Economia e o de Minas e Energia. O que mais quero é que a Argentina continue defendendo a democracia, a liberdade e o livre-comércio”, ressaltou Bolsonaro.

*EFE

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