Embora a canábis continue a ser a droga ilegal mais usada na União Europeia, assiste-se a um aumento na disponibilidade e malefícios da cocaína, anunciou o Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, que revelou, quinta-feira, o mais recente relatório sobre as tendências nesta matéria.

As apreensões de cocaína estão “em níveis recorde”, tendo sido realizadas mais de 104 mil em 2017, num total de 140 toneladas (cerca do dobro da quantidade apreendida em 2016), mas o problema de saúde agrava-se.

“A pureza da cocaína está no nível mais alto da última década. Há uma quantidade impressionante de cocaína a ser apreendida mas, infelizmente ainda não vemos um grande impacto em termos de resolver os problemas de saúde pública. Existem indicações em alguns Estados da União Europeia de progressos nos tratamentos para a dependência de cocaína. Algo que cada vez mais nos preocupa é o aumento do uso de crack”, disse Alexis Goosdeel, diretor do Observatório, numa conferência de imprensa, em Bruxelas.

De acordo com esta agência europeia, o maior número de apreensões de cocaína ocorreu em Espanha, seguida do Reino Unido, França e Itália. Em termos de quantidade de droga, Bélgica ficou em primeiro lugar, apreendendo 45 toneladas.

cocaína entra na Europa por inúmeras rotas, terrestres e marítimas, mas um dos maiores alertas vai para a digitalização do mercado de drogas, ocorrendo muito do tráfico com recurso à Internet (utilização das redes sociais, dos mercados da Internet obscura (‘darknet’) e técnicas de encriptação).

Há também a realçar o aumento da produção de drogas sintéticas com técnicas cada vez mais inovadoras, estimando-se que, em 2017, tenha atingido mais de seis milhões de comprimidos de ecstasy.

O Observatório, sediado em Lisboa, destaca que, em 2018 ,foram detetadas na União Europeia 55 novas substâncias psicoativas (NSP), elevando para 730 o total.

O estudo refere que cerca de 96 milhões de adultos da União Europeia (16-64 anos) já experimentaram uma droga ilícita ao longo da vida e cerca de 1,2 milhões de pessoas recebem anualmente tratamento devido ao consumo de drogas ilícitas. *Euronews

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