A janela de oportunidades para um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) poderá se fechar em julho, e um novo cenário favorável pode demorar anos para se apresentar, alertou nesta quinta-feira (13) Christoph Leitl, presidente da Associação Europeia de Câmaras de Comércio e Indústrias (Eurocâmaras).

“A hora de agir é agora”, disse Leitl em entrevista à AFP em São Paulo, lembrando que a Comissão Europeia em exercício encerra seu mandato em outubro.

“É possível [assinar até julho], mas temos que estar cientes de que essa possibilidade precisa de ação, e os presidentes devem agir agora e se comprometer”, insistiu.

Após uma reunião bilateral em Buenos Aires no dia 6 de junho, presidente Jair Bolsonaro e seu colega argentino Mauricio Macri falaram que o acordo Mercosul-UE é “iminente”.

Uma porta-voz da UE, no entanto, qualificou esse entusiasmo no dia seguinte, afirmando que “ainda há trabalho a ser feito em um nível técnico”, apesar de recentes discussões “construtivas”.

Segundo a imprensa, ainda há pontos a serem esclarecidos em questões tributárias e no intercâmbio de serviços, agrícolas e manufaturados. Mas Leitl não acredita que eles sejam obstáculos intransponíveis.

“É possível estabelecer períodos de transição” nas questões mais contenciosas, disse ele.

A turbulência na região – com uma eleição presidencial incerta na Argentina este ano – não deve ter um grande impacto nas negociações, disse Leitl.

O presidente da Eurocâmaras é particularmente “otimista” quanto à virada liberal do Brasil com o presidente Jair Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Eles sabem o que têm que fazer, agora só têm que fazer (…) Se Bolsonaro está pensando primeiro no Brasil, ele deve assinar [o acordo] o mais rápido possível”, afirmou. *AFP

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