O governo da Tunísia proibiu, nesta sexta-feira, o uso doniqab — véu islâmico que cobre o rosto, com exceção dos olhos, e o cabelo — em instituições públicas por questões de segurança.

A decisão, do primeiro-ministro Youssef Chahed, acontece depois de três ataques suicidas em uma semana , todos reivindicados pelo Estado Islâmico.

Testemunhas afirmam que, no ataque ocorrido na capital, Túnis, na terça-feira, o autor estava disfarçado sob um niqab . O ministério do Interior nega.

O país se prepara para eleições ainda neste ano e vive o auge da temporada turística, em que espera atrair um número recorde de visitantes.

Chahed assinou um decreto governamental que proíbe qualquer pessoa com rosto não revelado de ter acesso a sedes públicas, administrações e instituições, por razões de segurança,  disse uma fonte oficial à Reuters.

Em fevereiro de 2014, o Ministério do Interior autorizou a polícia a realizar um “maior controle” de pessoas que usavam o niqab , justificando essa medida pela luta contra “o terrorismo”, em particular “devido ao uso do niqab por suspeitos (…) para se disfarçar e fugir à justiça”.

Vários países europeus, africanos e asiáticos emitiram proibições totais ou parciais ao uso de véus, por preocupações com a segurança.

A Tunísia é um dos poucos países do Oriente Médio onde partidos islâmicos e seculares compartilham o governo. É considerada o único caso de sucesso democrático após a Primavera Árabe, mas tem lutado contra uma desaceleração econômica e agitação social.
O país também vem combatendo grupos armados que operam em áreas remotas perto da fronteira com a Argélia. *O Globo
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