O bilionário americano Jeffrey Epstein, amigo de políticos e famosos, foi acusado, nesta segunda-feira (8), de exploração sexual de dezenas de menores de idade, mas se declarou inocente perante a Justiça de Nova York.

Epstein, de 66 anos, foi preso no sábado em um aeroporto de Nova Jersey ao voltar aos Estados Unidos vindo de Paris em seu avião particular.

Epstein é acusado de tráfico sexual de menores e de conspiração para cometer tráfico sexual de menores pelo Ministério Público do distrito sul de Nova York, crimes que podem receber pena máxima de 45 anos de prisão.

Ele depôs nesta segunda em um tribunal em Manhattan diante do juiz Henry Pitman, e se declarou inocente. Seus advogado pediram mais três dias para apresentar sua defesa e preparar um pedido de liberdade sob fiança.

Contudo, o procurador de Nova York, Geoffrey Berman, pediu que Epstein continue preso durante o julgamento, já que a possível sentença, “com sua idade, equivale a uma presa de prisão perpétua. logo, teria razões para fugir” do país.

Fotos de jovens nuas foram apreendidas neste fim de semana pelas autoridades em sua mansão no bairro Upper East Side, em Manhattan, afirmou Berman em entrevista coletiva.

Epstein “explorou e abusou sexualmente de dezenas de meninas menores de idade em suas residências de Manhattan, Nova York e de Palm Beach, Flórida, entre outros lugares”, afirma a acusação.

Ele convidava as meninas a sua mansão, onde tinham relações sexuais, e “em seguida pagava às vítimas centenas de dólares em dinheiro”. “Também pagava mais para algumas de suas vítimas recrutarem outras meninas para serem abusadas”, de acordo com a acusação.

“Epstein estava muito consciente de que diversas de suas vítimas eram menores de idade e, não surpreendentemente, algumas das meninas que Epstein teria vitimado eram especialmente vulneráveis à exploração”, disse o procurador do distrito sul de Nova York, Geoffrey Berman, em entrevista coletiva.

Epstein, especialista em finanças que tem como amigos o presidente Donald Trump, o ex-presidente Bill Clinton e o príncipe Andrew, filho da rainha Elizabeth II da Inglaterra, já tinha sido declarado culpado de pagar menores de idade para fazerem massagens sexuais nele em sua mansão de Palm Beach.

Mas ele conseguiu evitar ser acusado criminalmente por esses casos ao assinar um acordo de culpabilidade em 2007 negociado por seus advogados com Alexander Acosta – hoje secretário de Trabalho do governo Trump.

Por este acordo secreto, ele se declarou culpado de um delito estadual de solicitar prostituição a um menor de idade e passou 13 meses em uma prisão do condado.

Acosta, que era então o mais alto procurador federal em Miami, é alvo de uma campanha que exige sua renúncia devido à pena relativamente menor imposta a Epstein.

Em 2002, Trump disse à revista do New York Times que Epstein era “um cara magnífico” que conhecia há 15 anos. “É muito divertido estar com ele”, afirmou Trump à época.

Berman disse que o acordo negociado na Flórida não libera Epstein de suas acusações perante o sistema judiciário em Nova York, e que, embora tenham passado vários anos desde os supostos crimes, “é muito importante para as vítimas” que a justiça seja feita. *AFP

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