Morreu Vincent Lambert, o cidadão francês que estava tetraplégico e a viver dependente de sistemas artificiais de suporte vital há mais de 10 anos.

Por ordem judicial, as máquinas foram desligadas há pouco mais de uma semana, reiniciando um processo diversas vezes travado por recursos legais, numa disputa que acendeu o debate em França sobre a eutanásia.

A vida de Vincent Lambert extinguiu-se esta quinta-feira (11) de manhã “às 08:24 horas da manhã” no centro hospitalar de Reims, em França, precisou o sobrinho François Lambert, em declarações à France Press (AFP).

Estávamos preparados para o deixar partir”, acrescentou o sobrinho, um dos apoiadores da decisão de desligar as máquinas de suporte de vida.

Uma década ligado às máquinas

O destino de Vincent Lambert, vítima de um acidente de viação em 2008, vinha a ser discutido em tribunal há vários anos num braço de ferro entre os familiares mais próximos.

Primeiro, apenas em França e, depois, com vários recursos para instâncias internacionais, incluindo o Tribunal Europeu de Direitos Humanos.

A mulher, Rachel Lambert, liderava a fação a favor da retirada da assistência vital, alegando ser esse o desejo expresso pelo marido caso um dia ficasse em estado quase vegetativo.

A mãe, Viviane Lambert, foi a cara da ala a favor da manutenção de Vincent vivo através do suporte artificial das máquinas, na esperança de um dia o filho poder recuperar.

Um dos advogados dos pais de Vincent Lambert referiu à AFP confirmou a notícia da morte e disse ser este é “um momento de luto”, prometendo para mais tarde uma reação de Pierre et Vivianne Lambert, “se eles assim o desejarem”, concluiu Jean Paillot.

A morte de Vincent pode ser enquadrada num caso de eutanásia passiva, processo tolerado em França para certos casos, podendo haver recurso a cuidados paliativos apenas para reduzir o sofrimento dos pacientes terminais.

A morte assistida não é permitida em França. *Euronews

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