A ausência do presidente da Bolívia, Evo Morales, do Foro de São Paulo que se celebra na Venezuela está longe de ser um divórcio do governo de Nicolás Maduro, destacou nesta sexta-feira (26) Juanita Ancieta, chefe da delegação boliviana.

“Em nenhum momento (há um afastamento) porque sempre estamos agradecidos ao povo bolivariano, pois nos deu apoio em momentos difíceis. A Bolívia está aqui para dar esse apoio”, disse Ancieta à AFP.

Morales, um dos principais aliados de Maduro na região, decidiu não enviar uma delegação oficial ao fórum que reúne desde a quinta-feira partidos e organizações de esquerda de vários países.

No entanto, uma representação de seu partido, o Movimento Ao Socialismo (MAS), encabeçada por Ancieta, participa das atividades em Caracas.

A possibilidade de uma presença de Morales havia despertado um interesse particular depois de o presidente Jair Bolsonaro afirmar em 19 de julho que a Bolívia estava dando sinais de querer se afastar do Foro de São Paulo, após o encontro entre os dois em Brasília.

Bolsonaro disse, ainda, que esperava que Morales não participasse do encontro.

“Nosso presidente sempre foi sincero, tem que coordenar também as relações bilaterais respeitosas com os presidentes, mesmo que não sejam de esquerda (…) porque somos vizinhos, embora não compartilhemos da [mesma] ideologia”, afirmou Ancieta sobre a relação com Bolsonaro.

Hugo Moldiz, ex-ministro de governo de Morales, também descartou que o presidente esteja dando as costas a Maduro, sob forte pressão de meia centena de países, liderados pelos Estados Unidos, para que ceda o poder ao opositor Juan Guaidó, a quem reconhecem como mandatário encarregado.

“Pensar que o presidente Morales não virá por razões de cálculo eleitoral ou de distanciamento estratégico com Venezuela e Cuba seria um grande erro. Na Bolívia, quando se fez o Foro de São Paulo, não foram os presidentes”, declarou à AFP.

A Bolívia precisa do apoio do Brasil para se somar como membro pleno do Mercosul (integrado também por Argentina, Paraguai e Uruguai), ao mesmo tempo em que negocia a renovação de um contrato de compra e venda de gás natural, que termina no final de 2019. *AFP

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