O Brasil expressou, nesta quinta-feira (01), seu apoio ao presidente paraguaio Mario Abdo, ameaçado por um impeachment por causa de um acordo energético, e destacou a “convergência de valores” entre o governo paraguaio e o de Jair Bolsonaro.

“O Brasil acompanha com grande atenção os acontecimentos no Paraguai que envolvem o processo de ‘juízo político’ contra o Presidente Mario Abdo Benítez”, afirma um comunicado do Itamaraty.

“O desenvolvimento do Paraguai e sua participação ativa como valioso membro do Mercosul e da comunidade hemisférica é de enorme interesse para o Brasil, e o Governo brasileiro está convencido de que o Presidente Mario Abdo reúne todas as condições para continuar conduzindo esse projeto”, afirma ainda o texto.

Também destaca “a inteira convergência de valores que se verifica hoje entre os dois Governos no que concerne à promoção da democracia na região e à proteção dos direitos da família”.

O Brasil espera que essa cooperação com o Presidente Mario Abdo possa prosseguir, o que permitirá a plena implementação das iniciativas em curso e a consecução de novos avanços, inclusive no que tange à implementação, em benefício mútuo, dos compromissos dos dois países ao amparo do Tratado de Itaipu”, acrescenta.

A oposição paraguaia anunciou na quarta-feira que vai pedir a destituição de Abdo e seu vice-presidente Hugo Velázquez, sob acusação de “traição” por ter assinado o acordo de Itaipu com o Brasil, que analistas dizem que deve aumentar os custos de eletricidade por cerca de 200 milhões de dólares para Assunção.

A revelação desse acordo provocou a renúncia do ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Alberto Castiglioni, e do presidente da estatal Ande, entre outros funcionários.

O novo ministro das Relações Exteriores, Antonio Rivas, é esperado entre quinta e sexta-feira em Brasília.

Bolsonaro declarou que está aberto a discutir com o Paraguai.

“Lá vocês sabem como funciona, né? Lá é muito rápido o impeachment”, afirmou.

Otávio Rêgo Barros, porta-voz de Bolsonaro, disse que “o Brasil está aberto para discutir os termos do acordo que busca o benefício dos dois países”.

Em uma reunião com Abdo, em fevereiro, em Itaipu, Bolsonaro homenageou as ditaduras que governaram os dois países por ocasião da construção da barragem, a segunda maior do mundo, que se encontra em suas fronteiras.

“Meu tributo vai para o general Alfredo Stroessner”, que comandou o Paraguai por 35 anos (1954-89), afirmou Bolsonaro. *AFP

Anúncios