Os Estados Unidos se preparam para taxar todas as importações da China em seu mercado a partir de 1º de setembro.

O diálogo entre os dois países para encerrar a guerra comercial foi retomado nesta semana, mas o presidente Donald Trump avaliou que Pequim não cumpriu suas promessas de comprar produtos agrícolas e interromper a exportação do fentanil, um poderoso opioide sintético que causa estragos nos Estados Unidos.

– Tarifas –

O governo chinês quer que Washington volte atrás na decisão de adotar uma tarifa adicional de 10% sobre bens chineses, num valor em torno de 300 bilhões de dólares. Mas administração Trump insiste em manter, pelo menos parcialmente, como fator de pressão para chegar a um acordo.

Para retomar as negociações, Trump disse que não pretendia impor novas taxas às importações chinesas “pelo menos pelo momento”, mas não falou em cancelar as vigentes.

Após uma reunião em Xangai com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial (USTR), Robert Lighthizer, o presidente americano anunciou nesta quinta-feira (01) através do Twitter que Washington vai impor a partir de setembro essa nova taxa de 10% sobre os bens chineses que ainda não estão tarifados.

Atualmente, Washington cobra uma taxa de 25% sobre as importações chinesas, que movimentam cerca de 250 bilhões de dólares. Pequim contra-atacou ao tarifar a entrada de produtos americanos que movimentam 110 bilhões de dólares.

– Huawei –

A corrida pelo domínio da alta tecnologia é talvez a questão mais espinhosa da disputa.

Autoridades dos Estados Unidos acreditam que a China usa os dados coletados através de equipamentos de telecomunicações fabricados pela Huawei, o maior fabricante mundial de smartphones, que nega a acusação.

Em maio passado, Trump proibiu as empresas dos Estados Unidos de vender à Huawei componentes que são fundamentais para seus produtos. Para acalmar a insatisfação dos fornecedores americanos, o presidente suavizou sua posição dizendo que as empresas poderiam retomar as exportações “onde não há grandes riscos para a segurança nacional”.

Até o momento, Washington não especificou quais exportações seriam permitidas. E Trump disse que a resolução dessa questão será discutida no final das reuniões comerciais.

– Obstáculos políticos –

Diversos membros do Congresso americano são contrários à redução das restrições contra Huawei.

Paralelamente, o presidente chinês, Xi Jinping, deve lidar com membros proeminentes do partido comunista que acusam Washington de tentar destruir o modelo econômico que permitiu que a China se tornasse a segunda maior potência mundial.

– Mudanças estruturais –

Washington exige que Pequim pare de intervir nos mercados e de obrigar as empresas estrangeiras a ceder aos chineses tecnologia como condição para operar no país.

Em maio, Trump acusou os negociadores chineses de reverter acordos que já haviam sido fechados e depois reiterou que ele busca “um acordo correto” e não tem pressa nem interesse em um acordo incompleto.

No entanto, Pequim não disse que está pronto para mudar suas práticas de negócios em meio ao impasse nas negociações.

– Agricultura –

Em troca da suspensão da aplicação de novas tarifas, Washington disse que obteve da China o compromisso de comprar mais produtos agrícolas.

Mas nesta quinta-feira, através de um post no Tweet, Trump disse que essas compras não se concretizaram.

É justamente o setor agrícola que mais sofreu com a guerra comercial. As exportações de soja para a China, um mercado do qual os produtores dos EUA se tornaram dependentes, caíram 75% no ano passado, chegando a 3,1 bilhões de dólares

Trump lançou em 2018 um pacote de ajuda aos produtores no valor de 12 bilhões de dólares e em maio lançou outro de 16 bilhões.No entanto, o descontentamento está crescendo num momento em que Trump se movimenta pela reeleição no próximo ano.

– Investimentos –

Como sinal de boa vontade, a China anunciou no início de julho que atenuaria algumas restrições ao investimento estrangeiro em setores como o transporte marítimo, bem como em alguns serviços de telecomunicações e de exploração de petróleo e gás. *AFP

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