Os Estados Unidos confirmaram nesta sexta-feira (02) a liberação oficial do tratado de desarmamento INF, mais uma vez acusando a Rússia de violar este texto bilateral emblemático concluído durante a Guerra Fria e de ser “o único responsável” pelo seu “fracasso”.

“A retirada dos Estados Unidos, em conformidade com o artigo XV do Tratado entra em vigor hoje porque a Rússia não voltou a seu pleno respeito e verificado”, disse em um comunicado o chefe da diplomacia americana Mike Pompeo, de Bangkok, onde participa de reuniões regionais.

Moscou, que também havia suspendido sua participação, reagiu ao fim deste acordo fundamental, propondo uma “moratória sobre a implantação de armas de alcance intermediário”.

Washington havia suspendido sua participação no início de fevereiro acusando a Rússia de fabricar mísseis não compatíveis.

AFP / Selim CHTAYTI – Principais Tratados Nucleares Estados Unidos – Rússia

                                                                                                                                                                                   A suspensão abriu um período de transição de seis meses que leva à retirada total dos Estados Unidos na sexta-feira e, portanto, à morte do tratado.

O Tratado INF, ao abolir o uso de toda uma série de mísseis nucleares de médio alcance (de 500 a 5.500 km), per itiu a eliminação da SS20 russa e da Pershing dos EUA na Europa.

“Os Estados Unidos levantaram suas preocupações com a Rússia desde 2013”, lembrou Mike Pompeo, que se orgulha do “total apoio” dos países membros da OTAN. Mas Moscou “sistematicamente rejeitou por seis anos os esforços dos EUA para que a Rússia respeitasse novamente” o texto, acrescentou.

Em questão, os mísseis russos 9M729, que representam em sua opinião uma “ameaça direta” para os americanos e seus aliados, embora a Rússia garante que eles tenham um alcance máximo de 480 km.

O secretário de Estado dos EUA acrescentou que as autoridades russas não apreenderam, nos últimos seis meses, sua “última chance” de salvar o acordo. Diversas discussões entre os dois poderes rivais, na verdade, não tiveram sucesso desde fevereiro.

O fim do Tratado INF provavelmente abrirá uma nova corrida armamentista. *AFP

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