O assassinato do repórter Jorge Celestino Ruiz na sexta-feira à noite demonstra as dificuldades que os jornalistas encontram no México, onde outros dois profissionais da imprensa foram mortos durante a semana.

Organizações como Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Article 19 apontam o país como um dos mais perigosos do mundo para o exercício da profissão, com mais de 100 jornalistas mortos desde o ano 2000.

Ruiz, repórter do jornal Gráfico de Xalapa, foi assassinado a tiros no município de Actopan, na região central do estado de Veracruz, informou o prefeito da cidade, Paulino Domínguez.

Uma fonte policial que pediu anonimato afirmou à AFP que a casa de Ruiz foi atacada a tiros em outubro do ano passado.

Na ocasião, o veículo do jornalista também foi atingido por tiros em uma tentativa de intimidação, de acordo com a mesma fonte, que não revelou os motivos nem os possíveis autores das agressões.

Colegas afirmaram que depois de denunciar as tentativas de assassinato, Ruiz esperava receber proteção do governo de Veracruz e evitava assinar suas matérias.

Veracruz, estado violento, marcado pela presença do crime organizado, registrou até quinta-feira o assassinato de 22 jornalistas em seu território, de acordo com a Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

O crime que matou Ruiz aconteceu menos de 24 horas depois do assassinato de Édgar Alberto Nava, diretor e editor do portal de notícias ‘La Verdad de Zihuatanejo’, no estado de Guerrero (sul).

Na terça-feira, o corpo de Rogelio Barragán, diretor do portal ‘Guerrero Al Instante’, foi encontrado na mala de um carro abandonado no estado de Morelos (centro).

Na quarta-feira, a redação do jornal ‘El Monitor de Parral’, na cidade de mesmo nome, no estado de Chihuahua, foi atacada com bombas incendiárias.

A CNDH destacou esta semana as “condições adversas” para o exercício do jornalismo no país.

Até quinta-feira, a RSF contabilizava o assassinato de oito jornalistas no México em 2019. *AFP

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