Ambev fez “pagamentos indevidos” a Lula e Dilma, diz Palocci

O ex-ministro Antonio Palocci relatou em seu acordo de delação premiada à Polícia Federal que a Ambev fez “pagamentos indevidos” aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff e a ele próprio.

Esta é a primeira vez que a multinacional de bebidas aparece nas investigações da Operação Lava Jato. Segundo o blog do jornalista Fausto Macedo, do Estadão, que teve acesso a um despacho sigiloso do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que cita os pagamentos, o interesse da empresa era impedir o aumento do PIS/Cofins sobre bebidas alcoólicas.

O despacho não traz menção a datas ou valores supostamente pagos pela Ambev. Os detalhes da delação de Palocci estão em outros anexos, que estão sob sigilo.

Além do suposto pagamento de propina pela Ambev, o documento do Supremo relaciona outros episódios narrados por Palocci, como o pagamento de vantagem indevida por parte de bancos, o suposto desembolso de R$ 3,5 milhões do governo do ex-ditador líbio Muamar Kadafi para a campanha de Lula no ano de 2002 e a destinação de dinheiro de empreiteiras, via caixa 2, para campanhas petistas.

Fachin determinou a remessa de 11 desses documentos à Justiça Federal de São Paulo. As acusações do ex-ministro, incluindo as que se referem à Ambev, estão sob análise da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo.

A Procuradoria da República de São Paulo solicitou que os casos denunciados por Palocci fiquem todos na 6.ª Vara Federal Criminal, especializada em crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

O acordo de colaboração premiada de Palocci foi homologado por Fachin em outubro do ano passado.

Procurada, a Ambev não quis comentar o teor da delação feita por Palocci.

O PT informou, por meio de nota, que Palocci “fez um negócio milionário com a Lava Jato para sair da cadeia com muito dinheiro em troca de mentiras”. “Nada do que ele diga sobre o PT merece crédito, muito menos por meio de supostos vazamentos direcionados politicamente”, afirmou o partido.

O juiz Danilo Pereira Júnior, da 12ª Vara Federal de Curitiba, autorizou nesta semana a progressão de pena de Palocci para o regime aberto. Segundo a decisão, ele permanecerá com tornozeleira eletrônica.

Categorias:Brasil

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