Ao longo das duas décadas de Vladimir Putin no poder em Moscou, pesquisas mostravam que russos culpam o governo, não o presidente, por seus problemas. Desde a reforma da Previdência, essa situação parece estar mudando.

Vladimir Putin iniciou seu mandato no topo da política russa em 9 de agosto de 1999, quando assumiu o cargo de primeiro-ministro. Na época, o homem que acabaria se tornando o sucessor de Boris Ieltsin era uma figura relativamente desconhecida.

Em seu quarto mandato como chefe de Estado russo (além de uma legislatura como primeiro-ministro), Putin foi visto durante muito tempo como politicamente intocável, também no tocante à opinião pública. “O czar é bom, a nobreza é que é ruim”, diz um ditado russo frequentemente citado para explicar por que o índice de aprovação do chefe de Estado permanece consistentemente mais alto do que o de seu governo.

Até o próprio Putin tentou desmascarar esse mito de infalibilidade. “Existe esta eterna ideia russa de que o czar é bom e os senhores feudais são ruins. Mas posso dizer que, se algo não está indo bem, é culpa de todos”, disse sobre a diferença salarial na Rússia, em sua coletiva anual de imprensa, em dezembro de 2018.

Segundo Lev Gudkov, diretor da organização independente de pesquisas Centro Levada, o objetivo de Putin é “restaurar a imagem da Rússia como uma superpotência, pelo menos aos olhos dos russos, e recuperar a autoridade que tinha a União Soviética”. Seus índices de aprovação alcançaram recorde absoluto após anexação da Crimeia em 2014, por exemplo. Embora condenada no Ocidente, essa medida era extremamente popular entre os russos.

No entanto, uma mudança de clima político dentro da Rússia implica que Putin não poderá mais se esquivar de suas responsabilidades domésticas, diz especialista.

Por um tempo, disse Gudkov, “o mecanismo de desviar a culpa pela situação interna funcionou. Mas assim que Putin assinou a lei de reforma da Previdência, ele assumiu a responsabilidade pela situação doméstica”, registra a Deutsche Welle.

 

Anúncios