Cerca de 700 imigrantes foram detidos na quinta-feira (8) no Estado norte-americano do Mississippi, apenas algumas horas antes de Donald Trump ter visitado El Paso e Dayton, cidades do Texas e do Ohio onde morreram dezenas de pessoas em tiroteios. Perto de 300 imigrantes foram entretanto libertados, mas são ainda muitas as crianças separadas dos pais e que têm estado a ser acolhidas por cidadãos.

É já considerada a maior operação de detenção de imigrantes nos Estados Unidos. A ICE, agência de fiscalização da imigração e alfândega dos EUA, deteve na quarta-feira pelo menos 680 trabalhadores sem documentos em fábricas de processamento alimentar de seis cidades do Mississippi.

As detenções ocorreram em resultado de mandados de busca emitidos por agentes especiais do departamento de Segurança Interna dos EUA, ao qual pertence a ICE.

De acordo com a Administração Trump, o fato de a visita do Presidente norte-americano às cidades dos tiroteios ter acontecido apenas algumas horas após as detenções foi uma coincidência.

Foram várias as crianças que choraram ao saírem da escola e perceberem que os pais não estariam lá para as levar para casa. “Governo, por favor usa o coração, deixa o meu pai sair em liberdade”, disse uma menina de 11 anos entre lágrimas. “Preciso do meu pai. Ele não fez nada, não é um criminoso”.

Eu não posso fazer nada, mas por favor abram as portas aos pais que estão nas prisões. Foi o meu primeiro dia de escola (…) e agora não sei onde vou comer hoje. Não sei o que vou fazer agora”, soluçou a criança.

Na cidade de Forest, Mississippi, a comunidade uniu-se para apoiar as crianças que ficaram sem os pais e sem sítio para onde ir. Alguns voluntários conseguiram manter um ginásio aberto durante a noite para que os menores lá pudessem passar a noite e alimentar-se.

Bryan Cox, porta-voz da ICE, insistiu que a agência “tomou medidas abrangentes ao planejar esta operação de modo a lidar com situações que envolvessem adultos que tivessem crianças para cuidar ou que tivessem filhos na escola no momento das detenções”.

De acordo com Cox, dois investigadores notificaram as escolas destas crianças sobre a operação que iria decorrer e deixaram contatos para onde os estabelecimentos de ensino poderiam telefonar caso houvesse crianças sem ninguém para as ir buscar.

Três centenas em liberdade

De acordo com a ICE, cerca de 300 imigrantes foram entretanto libertados, apesar de levarem consigo notificações para aparecerem mais tarde diante de juízes. “Foram inseridos em processos em tribunais federais de imigração e terão de se apresentar em tribunal”, explicou um porta-voz da ICE.

Cerca de 30 dos imigrantes foram libertados por razões humanitárias, nomeadamente por terem filhos a precisar de cuidados, frisou a procuradoria do distrito sul do Mississippi.

Os imigrantes que não foram libertados serão transportados para centros de detenção da ICE e lá ficarão até que haja desenvolvimentos nos seus casos.

“Hoje, através do trabalho árduo destes homens e mulheres, estamos a tornar-nos novamente uma nação de leis”, considerou Mike Hurst, procurador dos Estados Unidos para o distrito sul do Mississippi.

Os detidos eram maioritariamente naturais do México e Guatemala, sendo alguns provenientes das Honduras. *RTP
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