Itaipu: técnicos paraguaios discutem novo acordo com o Brasil

Técnicos da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) e representantes paraguaios da Itaipu Binancional se reuniram na terça-feira (6), no Paraguai, para discutir pontos que, posteriormente, negociarão com os representantes brasileiros para estabelecer um novo acordo para contratação de energia elétrica.

Está prevista a constituição de uma mesa de trabalho permanente para avaliar as várias propostas com vistas às próximas tratativas entre representantes paraguaios e da Eletrobras, do Brasil”.

O novo diretor-técnico interino da parte do Paraguai na administração da Itaipu Binacional, Luis Gilberto Valdez, diz que, embora não haja prazos para a assinatura de um novo acordo, o assunto está sendo tratado com o máximo de atenção.

A divulgação das condições do primeiro acordo, assinado no dia 24 de maio, gerou uma crise política no país vizinho. De acordo com autoridades e congressistas paraguaias, a primeira negociação prejudicava o Paraguai, podendo causar um prejuízo de até US$ 300 milhões.

Deputados dos partidos de oposição Liberal Radical Autêntico (PLRA) e Encuentro Nacional (PEN) e do movimento Hagamos protocolaram um pedido de impeachment do presidente Mario Abdo Benítez; do vice-presidente Hugo Velázques e do ministro da Fazenda, Benigno López.

Abdo Benítez afirmou a jornalistas paraguaios que agiu de boa-fé e que as decisões pautaram-se por recomendações técnicas. O mandatário paraguaio assegurou que determinou o cancelamento do acordo tão logo ficou claro o potencial prejuízo que seu país poderia sofrer devido à “ambiguidades” da negociação.

“Quando vi que a redação das atas era ambígua, me envolvi no debate técnico – o que não é minha função. Então eu disse que, de fato, havia um problema e argumentos [contrários à assinatura do acordo]. E que cancelaríamos as atas do acordo”, contou Abdo Benítez. “Os responsáveis já não estão mais em seus cargos, assumiram a culpa. O presidente assumiu a liderança e esta é a realidade atual”, acrescentou o mandatário, amenizando a dimensão da crise política.

Acordo cancelado

No último dia 29, o Congresso paraguaio aprovou um projeto para anular os termos da ata. O texto diz que o governo deve encarar toda negociação “com o Brasil sobre Itaipu na base da transparência, em particular da plena soberania hidrelétrica”. Três dias depois, os governos dos dois países decidiram cancelar a ata do acordo e voltar a negociar a contratação da energia de Itaipu. *Com Agência Brasil

Categorias:Américas, Brasil, Economia

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