A breve interrupção do encontro entre Nancy e Le Mans por causa de canções homofóbicas vindas das arquibancadas, sexta-feira (16) à noite, atesta a nova gravidade das instâncias do futebol em relação aos comentários e fatos discriminatórios. Nancy e seus partidários deveriam ser punidos.

O “AS Nancy Lorraine” obteve em campo uma vitória por 2-1 no Manceaux, mas a partida parou no primeiro tempo por causa de canções homofóbicas.

Desde a primavera passada, a possibilidade – inscrita no regulamento da UEFA – de interromper uma partida para pedir ordem e silenciar os insultos dos torcedores, tornou-se uma ordem do ministro.

Em 12 de abril, o encontro entre Dijon e Amiens foi interrompido por alguns minutos, por iniciativa do capitão Picards, Príncipe Desejo Gouano, alvo de insultos racistas. O árbitro interveio apenas em apoio.

Sexta à noite, foi ele quem tomou a decisão de parar, aos 27 minutos, enquanto o estádio Marcel-Picot ressoou com músicas hostis aos vizinhos usando um vocabulário claramente homofóbico. Mudando de alvo, o Nancy atacou a Liga no mesmo tom.

– decisão da LFP quarta-feira –

A interrupção durou apenas um minuto, mas não deve ficar sem consequências para o ASNL cujo caso será estudado pelo Comitê Disciplinar da LFP na quarta-feira.

Para os incidentes de abril, Dijon havia recebido um ponto de penalidade suspenso e o torcedor identificado como tendo declarado abuso racista havia sido indiciado, reclamou o clube.

“Há um regulamento, que o campeonato fixou, deve ser aplicado e terá que ser aplicado”, admitiu sexta-feira à noite o presidente Jean-Michel Roussier Lorraine. 

Na manhã deste sábado, a comitiva de Roussier indicou que o presidente não havia tomado nenhuma decisão quanto a uma possível ação judicial contra os partidários.

A provocação pública ao ódio ou à violência, por motivos de origem ou orientação sexual, e incitamento ao ódio ou à violência em um evento esportivo pode ser punível com até um ano de prisão e proibição do estádio.

“O futebol não se destina a lidar apenas com os problemas da sociedade. Do que estamos falando, há problemas sociais que vão muito além da estrutura do futebol”, alertou o chefe do clube Lorraine. *Com informações da AFP

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