Governadores de Estados da Amazônia Legal se reuniram nesta sexta-feira, na embaixada da Noruega, em Brasília, com representantes das embaixadas da Noruega, Reino Unido, Alemanha e França. 

No encontro, marcado para discutir acordos diretos entre esses países e os Estados no âmbito do Fundo Amazônia, ficou acertado que, daqui a 30 dias, será detalhada uma agenda de apoio financeiros a programas de combate ao desmatamento na região.

A ideia é fechar programas com cada Estado ou por meio do Consórcio Amazônia Legal, que reúne os nove Estados da região. A Noruega vai oferecer gratuitamente um sistema de mapas e monitoramento da região.

“Em 30 dias teremos um encontro, com respostas mais efetivas do que nós apresentamos. Todos querem a preservação do Fundo Amazônia, buscando alternativas que possam ampliar as oportunidades”, disse ao ‘Estado’ o governador do Pará, Helder Barbalho.

“Eles estão em conclusão de diálogo junto com o Ministério de Meio Ambiente para que seja anunciada nos próximos dias a retomada do Fundo Amazônia”, informou o governador.

Segundo Barbalho, os executivos estaduais também estão dialogando com os países para construir alternativas de financiamento a projetos sustentáveis como a possibilidade de repasse de verbas para cada unidade da federação da Amazônia ou por meio do Consórcio da Amazônia Legal.

“Sinalizaram que estão dispostos a colaborar diretamente com os governos estaduais e também a possibilidade de criação de um fundo do Consórcio de Governos da Amazônia Legal como instrumento de parceria internacional”, afirmou Barbalho.

O governador do Amapá, Waldez Góes, que preside o consórcio, disse que a entidade tem personalidade jurídica, o que permite estabelecer “uma relação de parceria com os financiadores de boas práticas na Amazônia, sejam elas de combate a atividades ilegais, de mitigação ou de alternativas de desenvolvimento”.

Os governos da Amazônia discutiram formas de oferecer áreas para cuidados dos países europeus, em troca de créditos de carbono que possam ser comprados por empresas internacionais. “Nós debatemos diversos assuntos, reforçamos o desejo da continuidade e da importância do Fundo Amazônia”, comentou Helder. “Sinalizamos com essa possibilidade de haver um diálogo direto com os Estados, individualmente ou por meio do consórcio.”

Também participaram da reunião os governadores de Mato Grosso, Mauro Mendes, de Roraima, Antônio Denarium, e do Amazonas, Wilson Lima, os vice-governadores de Rondônia, José Jordan, do Acre, Major Wherles Rocha, do Tocantins, Wanderlei Barbosa, e do Maranhão, Carlos Brandão.

Embaixadores

Antes da reunião, os embaixadores destacaram que seus países queriam escutar as demandas dos governadores e entender a situação dos estados amazônicos, mas observaram que também têm forte diálogo com o governo federal e diversos parceiros da sociedade civil.

“Concordamos que não falamos de um museu na floresta, falamos de uma economia verde sustentável. Trabalhamos com todos os parceiros, no nível federal, nos estados, municípios, sociedade civil, ONGs [organizações não governamentais]. Temos como meta lutar contra a mudança climática”, disse o embaixador alemão, Georg Witschel.

O embaixador do Reino Unido, Vijay Rangaranjan, ressaltou que na Amazônia a soberania é brasileira, mas lembrou que as questões ambientais têm importância mundial. “O Reino Unido, como sede da COP 26 [Conferência do Clima das Nações Unidas] no próximo ano, vai tratar de muitos diferentes desafios em questões ambientais de todos os países. Todos têm que enfrentar esses desafios.”

Os governadores e vice-governadores também tinham reunião marcada na tarde de hoje com o embaixador francês, Michel Miraillet. *Agência Brasil e Época

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