Um cartel de traficantes de drogas de Honduras planejou matar o presidente do país, Juan Orlando Hernández, porque o mandatário não dava atenção para o grupo, que havia colaborado financeiramente para sua campanha.

Um ex-chefe do narcotráfico hondurenho garantiu, nesta sexta-feira (11), durante o julgamento em Nova York do irmão de Hernández, Juan Antonio “Tony” Hernández, acusado de levar toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Segundo Devis Leonel Rivera Maradiaga, que comandava o grupo Los Cachiros, numa reunião com os irmãos Luis e Arnulfo Valle, chefes do cartel Valle Valle, “Arnulfo Valle disse que queriam matar Juan Orlando porque Juan Orlando, após assumir a presidência, não atendia os telefonemas deles, que o apoiaram em sua campanha à presidente, em todo o setor de El Espíritu, Copán”.

Maradiaga garantiu no tribunal que nunca lhe passou pela cabeça assassinar o presidente de seu pais, como asseguravam os rumores em Tegucigalpa (capital hondurenha), acrescentando que passou essa informação para o próprio Juan Orlando Hernández numa ligação telefônica em 2014, na qual o mandatário não falou nada, apenas ouviu.

“Líder, não se deixe levar por fofocas e rumores de que estamos tentando matá-lo”, disse Rivera ao presidente, de acordo com o depoimento do criminoso no tribunal.

Rivera, que traficou para os Estados Unidos mais de 20 toneladas de cocaína, começou a colaborar com a agência antidrogas americana DEA em 2013. Dois anos depois se entregou à justiça americana, assim como seu irmão Javier. Os irmãos Valle foram capturados em 2014, meses depois da vitória de Hernández nas eleições presidenciais de novembro de 2013, e acabaram extraditados para os Estados Unidos.

Tony Hernández, de 41 anos, está sendo julgado por uma corte do distrito de Nova York por tráfico internacional de drogas e é acusado de operar “com total impunidade” e de pertencer a “uma organização patrocinada pelo Estado (hondurenho) que distribuiu cocaína durante anos”, além de repassar milhões de dólares em subornos ao presidente JOH. Caso seja condenado, pode ser sentenciado à prisão perpétua.

O presidente Hernández nega todas as acusações e se apresenta como um oponente do narcotráfico. *AFP

Anúncios