O presidente do Equador, Lenín Moreno, ordenou neste sábado (12) o “toque de recolher e a militarização” de Quito e arredores devido à violência nas manifestações iniciadas há 11 dias contra reformas econômicas pactuadas por seu governo e o FMI.

A medida começou a vigorar neste sábado às 15H00 locais (17h00 de Brasília).

“Isto facilitará a atuação da força política frente aos desmandos intoleráveis de violência”, declarou o presidente no Twitter.

O presidente endureceu o estado de exceção imposto em 3 de outubro e sob o qual tinha mobilizado as Forças Armadas para garantir a ordem pública.

Amparado por estas faculdades especiais, que a princípio permitem restringir alguns direitos por 30 dias, Moreno já tinha disposto o toque de recolher em volta de prédios públicos de Quito após os primeiros enfrentamentos dos indígenas com a Polícia.

Neste sábado, manifestantes encapuzados atearam fogo e saquearam o prédio da Controladoria no norte de Quito, em meio aos protestos violentos que completam 11 dias, observou um fotógrafo da AFP.

A sede foi atacada com bombas incendiárias e logo depois um grupo de homens, a maioria deles com o rosto coberto e usando capacetes, invadiu a sede.

A ministra do Governo (Interior), Maria Paula Romo, anunciou no Twitter a desocupação da área, onde há tumultos por medidas econômicas, para que as equipes de resgate possam dar conta do incêndio e do pessoal que está dentro do edifício.

Romo acrescentou que a polícia prendeu 30 pessoas no terraço da Controladoria e que os agentes estavam checando o resto do prédio, na frente do qual os manifestantes indígenas ergueram barricadas de onde colidem com a força pública.

Na segunda-feira, quando os indígenas começaram a chegar em Quito para protestar contra os ajustes acordados pelo governo com o FMI, os manifestantes tentaram atacar a sede do Parlamento e da Controladoria. No dia seguinte, o Legislativo foi brevemente ocupado.

O governo de Lenín Moreno enfrenta sua maior crise devido aos ajustes econômicos que impôs em troca de empréstimos de 4,2 bilhões de dólares que contratou com o FMI para aliviar o pesado déficit fiscal que culpa o desperdício, o endividamento e a corrupção do governo de seu antecessor e exaltado Rafael Correa (2007-2017). *AFP