O rosto do presidente Filipe Nyusi brilha de bandeiras ondulando pela cidade de Beira, em Moçambique, onde camisetas e pôsteres pintam as ruas com a assinatura do partido Frelimo em vermelho no que normalmente é um reduto da oposição.

A demonstração de força da Frelimo antes das eleições presidenciais, provinciais e legislativas em 15 de outubro pode sinalizar problemas para o principal partido da oposição Renamo e também ameaçar um acordo de paz assinado entre os dois rivais da guerra civil em agosto.

Embora Nyusi esteja quase certo de ser reeleito presidente, o acordo de paz deu à Renamo a esperança de conquistar mais poder político em um país dominado pela Frelimo desde a independência do país da África Austral de Portugal em 1975.

Sob o acordo, os governadores provinciais serão escolhidos agora pelo partido principal em cada província, e não pelo governo de Maputo, e a Renamo está apostando em fortalezas provinciais tradicionais, como Sofala, para ganhar influência.

“A maior ameaça ao processo de paz é se a Renamo não entregar um bom número de províncias”, disse Alex Vines, chefe do programa da África na Chatham House.

As eleições ocorrem em um momento difícil para Moçambique, um país pobre com uma população de 30 milhões.

Cidades como Beira foram esmagadas por dois ciclones devastadores este ano e há uma insurgência islâmica no norte, que fica bem no topo de projetos de grande sucesso para desenvolver vastas reservas de gás natural.

Os projetos liderados por gigantes do petróleo, como Exxon Mobil Corp e Total, deverão atrair investimentos de US $ 50 bilhões, ou quatro vezes o tamanho da economia de Moçambique, e a bonança de gás esperada elevou as apostas eleitorais. *Reuters