O peronista de centro esquerda Alberto Fernández, favorito com folga em todas as pesquisas, e o presidente liberal Mauricio Macri, que está tentando fazer um retorno de última hora, encerram nesta quinta-feira (24) suas campanhas para as eleições gerais de domingo (27) na Argentina.

As aspirações de Macri para um segundo mandato esbarram com uma recessão de mais de um ano e uma inflação indomável, que acumulava 37,7% até setembro, com aumento do desemprego (10,6%) e a pobreza que afeta mais de um terço dos argentinos.

Também é prejudicado pelo rigoroso programa de ajuste fiscal lançado após a assistência financeira de US$ 57 bilhões que o governo obteve do Fundo Monetário Internacional (FMI) no ano passado, em meio a uma corrida cambial, que depois se repetiu com uma moeda que perdeu 70% de seu valor desde janeiro de 2018.

Mas, na reta final das eleições, Macri, um engenheiro de 60 anos, entusiasmou-se com a grande mobilização de sábado passado (19) sob o slogan “Sim, podemos”, no centro de Buenos Aires, seu reduto histórico e do qual foi prefeito entre 2007 e 2015.

No dia seguinte, um bom desempenho no debate presidencial poderia ter dado a ele mais um empurrão, embora a proibição de divulgar pesquisas desde o último sábado impeça de verificar se houve mudanças nas intenções de voto que então mostravam tendência de expansão favorável a Fernández.

– A Argentina com que sonhamos –

Macri busca reverter o resultado das primárias de 11 de agosto, nas quais Fernández o ultrapassou em 17 pontos e se tornou o favorito da presidência.

“Vamos nos voltar para a eleição e o futuro da Argentina. Precisamos que você se junte a nós para construir a Argentina com a qual sonhamos”, disse Macri no sábado.

Sua intenção, segundo ele, é concluir as reformas do Estado e terminar de ajustar as contas públicas.

O presidente e seu companheiro de chapa, o peronista de direita Miguel Angel Pichetto, encerram a campanha em Córdoba, 700 km ao norte.

Foi precisamente nesta província que ele obteve 72% dos votos em 2015, fazendo a balança pender a seu favor, quando derrotou o peronista Daniel Scioli com 51,33% contra 48,66%.

– Binômio e unidade –

Alberto Fernández chega a esse ponto da disputa com números favoráveis e como aglutinador de quase todo o espectro peronista, assim como impulsionado pela forte imagem da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), sua companheira de chapa e candidata a vice-presidente.

Amada por muitos e detestada por tantos outros, Kirchner surpreendeu, há cinco meses, ao desistir de concorrer à presidência e nomear Fernández, seu ex-chefe de gabinete, como seu herdeiro, uma tática que permitiu agregar a simpatia dos kirchneristas sem perder o voto dos peronistas que se distanciaram dela.

O binômio se desenvolveu bem na campanha.

Kirchner, que enfrenta uma dúzia de processos por corrupção, que ela atribui à perseguição judicial e política, lançava seu livro autobiográfico “Atenciosamente” pelo país, enquanto Fernández aparecia em outro comício como um político mais moderado.

“A ideia é virar a página e começar a construir outro país, mais justo e equilibrado”, afirmou Fernández na quarta-feira.

Em um de seus poucos atos juntos, Fernández e Kirchner encerram nesta quinta-feira a campanha em Mar del Plata, uma cidade portuária e turística atingida pelo desemprego, 400 km ao sul de Buenos Aires.

No domingo, o presidente e o vice-presidente são eleitos, e metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado são renovados.

Além disso, serão escolhidos o governador da província de Buenos Aires, o distrito principal com um terço do eleitorado, e o prefeito da capital, a cidade mais rica do país.

Para vencer no primeiro turno, é preciso obter mais de 45% dos votos, ou mais de 40% e uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo lugar.

Um segundo turno, se necessário, ocorrerá em 24 de novembro. *AFP

Anúncios