O complexo militar russo exibiu todo o seu arsenal no primeiro fórum Rússia-África, dos Kalashnikovs de última geração aos sistemas de defesa antiaérea, através de programas de reconhecimento facial, para seduzir o continente africano, um importante cliente em potencial.

“A África representa 40% do volume de pedidos atuais (…) para diferentes tipos de armas e equipamentos militares”, disse à AFP Alexandre Mikheev, presidente da Rosoboronexport, empresa pública russa encarregada da venda de armas.

Neste primeiro fórum econômico russo-africano, em Sochi (sul da Rússia), o presidente Vladimir Putin recebeu mais de 40 chefes de Estado e de governo africanos na quarta e quinta-feira. Nesta reunião, predominaram as empresas de armas.

O conglomerado estadual Rostec, que agrupa os elementos essenciais do complexo militar e industrial russo, foi representado especialmente pela empresa Kalashnikov, pelo fabricante de sistemas antiaéreos e blindados Almaz-Antey e pelo produtor de munição Pribor.

Empresários russos e africanos se divertem manipulando os mais recentes rifles automáticos, tirando fotos com armas na mão e folheando o “catálogo de armas de infantaria e meios de combate”, traduzidos para francês e português para a ocasião.

“Temos cerca de US$ 12 bilhões em contratos assinados e pagos. Vinte países (africanos) estão trabalhando com a Rússia hoje. Este ano, fornecemos para nove países africanos”, incluindo Ruanda, Moçambique, Uganda e Angola, segundo o presidente da Rosoboronexport.

Já a Russian Helicopters afirmou em comunicado que “mais de 900 helicópteros produzidos pela Russian Helicopters foram registrados em países africanos”, representando “um quarto dos helicópteros do continente”.

Na quarta-feira, Putin disse que a Rússia continuaria ajudando os países africanos a liquidar suas dívidas. Esse método já foi usado por Moscou para entrar na Argélia e na Líbia nos anos 2000, perdoando suas dívidas em troca de contratos gigantescos de armas. *AFP

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