O presidente da Bolívia, Evo Morales, completou 60 anos de idade neste sábado (26), em um contexto de grande tensão social, com milhares de pessoas se manifestando contra a sua reeleição no primeiro turno, para denunciar o que consideram uma fraude.

Morales, que foi pastor de lhamas na infância, chegou à Presidência em 2006, apoiado por um poderoso sindicato de produtores de coca, do qual ainda é líder, e alcançou nesta semana um quarto mandato – alvo de uma ampla controvérsia interna e externa e não reconhecido pelo segundo colocado no pleito.

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O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) proclamou Morales ganhador com 47,08%, contra 36,51% para o ex-presidente Carlos Mesa, o suficiente para a sua vitória já no primeiro turno.

Mas o TSE tinha anunciado na noite de domingo, após uma contagem preliminar dos votos, uma tendência que antecipava um segundo turno. Após passar 20 horas em silêncio, gerando suspeitas e especulações, o mesmo confirmou a vitória de Morales.

O presidente boliviano celebrou seu aniversário em um quartel militar antinarcóticos em Chapare (centro), seu reduto político, de onde pediu para quem questiona a sua vitória provar a suposta fraude.

“Não ocultamos, não mentimos. Só pensam em fraude e não apresentam provas. Tudo é mentira”, disse, questionando seus oponentes e a comunidade internacional. “Se houver fraude, no dia seguinte convocaremos o segundo turno”.

Pouco depois, Mesa disse à imprensa “rejeitar e não reconhecer a conclusão do cômputo nacional das eleições gerais e as consequências políticas e jurídicas do mesmo, por ser este resultado de fraude e descumprimento da vontade popular”;

Além da oposição boliviana, a ONU, a União Europeia, os Estados Unidos e outros países questionaram o resultado.

Morales propôs à OEA realizar uma auditoria do processo, e seu titular, Luis Almagro, aceitou.

“Escutamos os posicionamentos das chancelarias da Colômbia, da Argentina, do Brasil e dos EUA. Convido esses e outros países a participar da auditoria que propusemos. Que todas as atas sejam revisadas”, tuitou Morales neste sábado.

– Protestos nas ruas –

Mesa disse que as manifestações que tiveram início na noite das eleições irão se intensificar a partir de segunda-feira.

Neste sábado, milhares de pessoas se manifestaram nas ruas das principais cidades bolivianas com barricadas nos cruzamentos, obstruídos com bandeiras, cordas e automóveis atravessados para impedir o trânsito de veículos e pessoas.

Os protestos em La Paz se localizaram principalmente na zona sul, onde ficam residências de classes média e alta.

Na área urbana de Santa Cruz (leste), coração do desenvolvimento boliviano, convertido no centro dos protestos, as pessoas encheram os supermercados neste sábado para se abastecerem, pois o comitê cívico regional anunciou que a greve, iniciada na quarta-feira, irá se estender por tempo indefinido. *AFP