União Europeia (UE) e ONU fizeram um apelo, nesta terça-feira (29), para aumentar a ajuda aos países da América Latina que enfrentam a chega da de centenas de milhares de venezuelanos, ao final de uma conferência na qual foram prometidos 133 milhões de dólares.

“Se não mobilizarmos recursos hoje, poderemos enfrentar consequências ainda mais caras, tanto do ponto de vista humanitário como econômico, dentro de um, dois ou cinco anos”, advertiu a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

O objetivo da conferência era chamar a atenção para a situação nos países da região que abrigam centenas de milhares de migrantes e refugiados venezuelanos, assim como para a necessidade de incluir esta crise entre as prioridades da agenda diplomática.

O evento não buscava captar recursos, mas os países e organizações participantes se comprometeram a destinar 133 milhões de dólares adicionais, anunciou Mogherini, que destacou a importância de agir antes de um agravamento da situação.

“Como europeus, sabemos muito bem. Se tivéssemos investido um pouco para apoiar a crise dos refugiados sírios ou outras crises de migrantes no início do processo, não apenas teríamos salvado vidas, mas teríamos economizado dinheiro”, completou.

A opinião foi compartilhada pelo Alto Comissário da ONU para os Refugiados, Filippo Grandi, para quem, durante a crise na Síria, foram desenvolvidos justamente instrumentos por parte de instituições internacionais para apoiar os países de recepção de maneira “sustentável”.

A duração da crise, ante o bloqueio de uma solução política na Venezuela, e o eventual impacto nos países de recepção, que devem administrar atendimento de saúde, educação e social dos migrantes, são os principais temores da comunidade internacional.

“Por isto é urgente mobilizar o apoio internacional, porque isto se transforma em um fator de desestabilização. Este não é o caso ainda”, disse a chefe da diplomacia europeia, para quem “um euro para apoiar os esforços hoje vale 100 euros amanhã”.

Quase 4,5 milhões de venezuelanos fugiram da crise política e econômica em seu país. Em 80% dos casos, eles seguiram para países vizinhos, um número que, segundo o enviado especial da ONU Eduardo Stein, pode alcançar 6,5 milhões em 2020.

Stein calculou em 1,35 bilhão de dólares o valor necessário em 2020 para atender 4,3 milhões de venezuelanos estabelecidos em 17 países, valor que representa o dobro de um apelo feito em dezembro de 2018, do qual apenas metade foi arrecadado até o momento.

“A crise humanitária tem nome e sobrenome: Nicolás Maduro”, responsável pelo “maior grupo de pessoas deslocadas do mundo”, disse o ministro das Relações Exteriores do Peru, Gustavo Meza-Cuadrada, no início do segundo dia da conferência em Bruxelas.

Embora nem o governo de Nicolás Maduro nem a oposição liderada por Juan Guaidó tenham sido convidados, a crise política no país desde as eleições presidenciais de 2018, cujo resultado não foi reconhecido por parte da comunidade internacional, dominou o evento.

A “grave crise humanitária tem uma causa política, que é um bloqueio político”, disse o ministro das Relações Exteriores português, Augusto Santos Silva, pedindo uma saída “política, pacífica e democrática” através de eleições.

No momento em que as negociações mediadas pela Noruega entre o governo Maduro e a oposição liderada por Juan Guaidó estão paralisadas, os participantes concordaram em lançar um grupo de amigos para o processo de Quito nos próximos meses, um mecanismo para coordenar os países latino-americanos na crise migratória e estudar a convocação posterior de uma conferência de doadores. *AFP

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