Autoridades americanas de alto escalão, presidentes estrangeiros e diretores de grandes empresas internacionais se reúnem a partir desta terça-feira (29) na Arábia Saudita para sua “Davos do deserto” – diferentemente da edição de 2018, que foi boicotada após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

As autoridades anunciaram que mais de 300 participantes de 30 países vão participar do Future Investment Initiative (FII), evento anual de três dias destinado a mostrar o país como uma economia dinâmica atraente para os investimentos estrangeiros.

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“Mais de 6.000 autoridades e participantes estão presentes. É mais que o dobro da primeira edição do FII [em 2017], o avanço é incrível”, celebrou Yasir Al Rumayyan, diretor-geral do fundo soberano saudita (Public Investment Fund, PIF), na cerimônia de abertura.

Conselheiro e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, considerado próximo do príncipe herdeiro, deve chegar com os secretários americanos do Tesouro, Steven Mnuchin, e da Energia, Rick Perry, segundo o FII.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, o presidente Jair Bolsonaro, o rei Abdullah II da Jordânia e vários chefes de Estado africanos também devem participar.

Os presidentes do Blackstone Group e do SoftBank Group, duas empresas de gestão de ativos, e os dos fundos soberanos do Kuwait, dos Emirados Árabes Unidos, de Singapura e da Rússia também participarão.

“O FII deste ano é muito diferente do do ano passado. A ameaça das sanções que pesa sobre a Arábia Saudita por sua ação em matéria de Direitos Humanos, que levou a boicotes no ano passado, ficou para trás”, declarou à AFP Ryan Bohl, do Stratfor.

A edição do ano passado foi afetada pelo assassinato, em 2 de outubro de 2018, do jornalista Jamal Khashoggi no consultado saudita em Istambul.

O caso atingiu a imagem do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, cuja responsabilidade foi questionada pela ONU.

– Armaco na bolsa –

Mas, um ano depois, o centro das atenções será o lançamento da gigante petroleira estatal Armaco na bolsa de valores, previsto para 11 de dezembro, segundo a emissora saudita Al Arabiya.

O reino, maior exportador mundial de petróleo, prevê lançar até 5% do capital da Armaco na bolsa. A empresa é avaliada entre 1,5 trilhão e 2 trilhões de dólares.

As consequências globais do assassinato de Khashoggi colocaram à prova as alianças tradicionais do reino com as potências ocidentais e lançaram sombras no programa ambicioso de reformas do príncipe herdeiro para reduzir a dependência do país do petróleo.

A CIA teria concluído que o príncipe herdeiro, na prática o dirigente do país ultraconservador, provavelmente ordenou o assassinato.

Em entrevista a uma emissora americana, bin Salman aceitou ser responsabilizado pelo caso pois ocorreu “sob seu reinado”, mas negou ter ordenado o assassinato.

Após esse escândalo, o governo saudita reforçou sua política de abertura à cultura e ao entretenimento, recebendo grandes shows e reduzindo as restrições dos direitos das mulheres, além de conceder, pela primeira vez, vistos turísticos.

Mas, ainda assim, Riade continua com dificuldade de captar os investimentos estrangeiros que tanto precisa.

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