As críticas ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e ao bloqueio político no país marcaram presença, nesta terça-feira (29), na conferência internacional sobre como apoiar os países latino-americanos a enfrentar a crise dos imigrantes venezuelanos.

“A crise humanitária tem nome e sobrenome: Nicolás Maduro”, responsável pelo “maior grupo de pessoas deslocadas do mundo”, disse o ministro das Relações Exteriores do Peru, Gustavo Meza-Cuadrada, no início do segundo dia da conferência em Bruxelas.

Quase 4,5 milhões de venezuelanos fugiram da crise política e econômica em seu país. Em 80% dos casos, eles seguiram para países vizinhos e a comunidade internacional debate como ajudar essas nações nesta cúpula convocada pela União Europeia (UE) e pela ONU.

E tudo isso ciente de que a crise migratória, que afeta principalmente a Colômbia, o Peru e o Equador, está piorando. O enviado especial da ONU Eduardo Stein projetou na segunda-feira o número de imigrantes até 2020 em 6,5 milhões.

Vários participantes do segundo dia, iniciado com as intervenções de Meza-Cuadrada e seu colega equatoriano José Valencia, enfatizaram que, sem uma solução para a crise política na Venezuela, a migração continuará.

A “grave crise humanitária tem uma causa política, que é um bloqueio político”, disse o ministro das Relações Exteriores português, Augusto Santos Silva, pedindo uma saída “política, pacífica e democrática” através de eleições.

No momento em que as negociações mediadas pela Noruega entre o governo Maduro e a oposição liderada por Juan Guaidó estão paralisadas, alguns participantes pediram aos dois lados que as retomem para uma solução “o mais rápido possível”.

Embora o evento não busque captação de recursos, não se descarta que alguns países apresentem números, como a Espanha, que já anunciou uma ajuda de 50 milhões de euros em três anos.

Stein calculou na segunda-feira em 1,3 bilhão de dólares o montante necessário em 2020 para atender 4,3 milhões de venezuelanos estabelecidos em 17 países. *AFP