Centenas de pessoas protestavam nesta quinta-feira (31) no centro de Buenos Aires em repúdio ao Fundo Monetário Internacional (FMI), organismo com o qual a Argentina tem um programa de ajuste fiscal com empréstimo de 57 bilhões de dólares.

“A dívida é com o povo, não com o FMI”, afirma um enorme cartaz à frente da manifestação, a primeira desde as eleições de domingo, vencidas pelo peronista de centro-esquerda e duro crítico do FMI, Alberto Fernández.

Com bandeiras e tambores, os manifestantes andaram por várias quadras até o gabinete do FMI, no centro histórico da cidade.

“Cada vez tem mais gente nas ruas, que se mobiliza, porque não há trabalho e tem cada vez mais fome aqui na Argentina. Dizemos que o dinheiro não tem que pagar o FMI, que os bancos e os capitalistas paguem a dívida, não o povo trabalhador”, disse à AFP María Aguilar, uma manifestante.

O governo do presidente liberal Mauricio Macri foi ao FMI em 2018 para enfrentar uma corrida cambial que desencadeou a crise econômica, com recessão, alta inflação (37,7% até setembro) e aumento da pobreza (35,4%) e do desemprego (10,6%).

“Há prioridades e a prioridade para o nosso país hoje é que os pobres deixem de ser pobres. O Fundo irá esperar e, enquanto isso, será feito um processo de investigação da legitimidade dessa dívida”, protestou Esteban Marcioni.

Até agora, a agência multilateral já entregou 44 bilhões de dólares, mas ainda não desembolsou uma parcela de 5,4 bilhões, planejada para setembro. *AFP

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