O grupo aeronáutico Boeing admitiu nesta quinta-feira (31) que fissuras estruturais obrigaram a empresa a interromper o uso de várias dezenas de aviões do modelo 737NG, mais um problema que se soma às dificuldades da companhia americana nos últimos meses.

Um porta-voz da Boeing declarou à AFP que quase 1.000 aviões já foram submetidos a uma inspeção e que em menos de 5% deles – o equivalente a 50 aeronaves – foram detectadas falhas.

Os aviões não podem voar até que aconteçam os reparos correspondentes.

Após ter detectado o problema em um Boeing 737 NG, a australiana Qantas inspecionou outros 32 aviões, e identificou as mesmas fissuras em dois aparelhos.

“Estes aviões foram retirados de circulação para serem reparados”, informou a Qantas.

A Coreia do Sul citou, por sua vez, nove aviões fora de circulação, cinco deles pertencentes a Korean Air.

A Administração Federal de Aviação (FAA) dos Estados Unidos anunciou no início do mês que ordenou uma inspeção de vários Boeing 737 NG, o antecessor do 737 MAX, depois que foram detectadas “fissuras estruturais” em uma aeronave na China.

No início de outubro, envolvida na crise dos 737 MAX, a Boeing indicou que descobriu fissuras no “pickle fork” (literalmente “garfo de picles” por sua forma), um sistema de acoplamento que permite manter unidas as asas à fuselagem, fundamental para a aerodinâmica do aparelho.

A FAA ordenou a inspeção dos 737 NG que superaram 30.000 voos, mas a Qantas indicou nesta quinta-feira que detectou fissuras em aviões com menos de 27.000 voos.

Nos últimos meses, a reputação da Boeing foi afetadas pelos dois acidentes com o 737 MAX que deixaram 346 mortos.

O anúncio da Qantas provoca o temor de fissuras em aviões mais novos, o que exige que toda a frota de 737 permaneça em terra.

“Estas aeronaves deveriam permanecer imobilizadas por segurança até o fim das inspeções”, declarou Steve Purvinas, representante do sindicato de engenheiro, em um comunicado.

A Qantas considerou o pedido para não utilizar toda sua frota de 737 “totalmente irresponsável”.

“Apenas utilizamos os aviões quando apresentam todas as garantias de segurança”, declarou Chris Snook, diretor de engenharia da Qantas.

“A presença de uma fissura não compromete automaticamente a segurança do avião”, completou.

“Os 737 NG afetados pela medida não podem voar até terem sido inspecionados”, detalhou na quinta-feira a FAA, que estimou, no começo de outubro, o número de aviões deste modelo nos EUA em 1.911.

Das quatro principais companhias aéreas dos EUA, apenas a Southwest detectou aeronaves com defeito. “Continuamos trabalhando com a Boeing para reparar esses três 737 GNs e não temos data para o retorno ao serviço”, disse um porta-voz.

American Airlines, United e Delta disseram ter estendido as mais recentes inspeções de GN.

O 737 NG é o antecessor do modelo de corredor único 737 MAX. O modelo possui três versões (737-700, 737-800 e 737-900, entre 126 e 220 assentos) e, desde os anos 1990, foram produzidas 6.162 exemplares, segundo a Boeing.

A companhia australiana Virgin Airways também inspecionou seus 17 Boeing 737 NG, embora não tenha detectado nenhum problema, disse um porta-voz da autoridade australiana de Aviação Civil.

A Ryanair, a maior operadora de 737 NG do mundo, garantiu que não foi afetada pelo problema.

“A Ryanair continua a análise de seus dispositivos de acordo com as instruções de navegação e não prevê incidentes em suas atividades ou na disponibilidade de sua frota”, afirmou a companhia em comunicado.

A empresa de baixo custo Norwegian, que opera 118 Boeing 737-800, explicou em um email à AFP que sua frota não é objeto de inspeções por ser muito recente.

Quanto à Transavia France, subsidiária de baixo custo do grupo Air France-KLM, disse que está realizando verificações, mas que “nenhuma anomalia foi detectada”, segundo um porta-voz.

A imobilização das aeronaves se une a outros problemas de segurança da Boeing.

Nos últimos meses, dois acidentes do modelo 737 MAX provocaram as mortes de 346 pessoas na Indonésia e Etiópia a deixaram evidentes as falhas no programa MCAS, que deveria impedir a queda do avião em caso de perda de velocidade.

Os aviões 737 MAX não são utilizados há sete meses. *AFP

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