A Assembleia-Geral da ONU condenou nesta quinta-feira (7) o embargo dos Estados Unidos imposto a Cuba há quase 60 anos. Opuseram-se à condenação Estados Unidos, Israel e, pela primeira vez, o Brasil.

A Assembleia Geral, de 193 membros, pelo 28º ano consecutivo, adotou nesta quinta-feira (07) a resolução com 187 votos favoráveis.

Colômbia e Ucrânia se abstiveram, e Israel foi o terceiro país  a votar contra. A Moldávia, antiga república soviética, não votou.

A votação da ONU tem peso político, mas somente o Congresso dos Estados Unidos pode revogar o embargo, que já dura mais de 50 anos.

O voto brasileiro reverte uma tradição diplomática brasileira que remonta a 1992, quando a resolução foi votada pela primeira vez.

Após a votação, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, defendeu a mudança de curso do país. Em mensagens no Twitter, ele disse que o “Brasil votou a favor da verdade” e que é preciso deixar de “bajular Cuba”.

“Nada nos solidariza com Cuba. O regime cubano, desde sua famigerada revolução 60 anos atrás, destruiu a liberdade de seu próprio povo, executou milhares de pessoas, criou um sistema econômico de miséria e, não satisfeito, tentou exportar essa ‘revolução’ para a América Latina”, escreveu Araújo.

A Colômbia se absteve de votar por causa da “atitude hostil” de Cuba em relação aos seus pedidos de extradição dos “terroristas confessos” e de seu apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse o Ministério das Relações Exteriores colombiano em um comunicado.

Os EUA vêm votando contra as resoluções da ONU de forma constante há mais de duas décadas, mas as relações se deterioraram no governo Trump, que endureceu as restrições ao comércio e viagens que seu antecessor, Obama, havia afrouxado.

“Os Estados Unidos não são responsáveis pelos abusos sem fim do regime cubano contra seu povo”, disse a embaixadora americana na ONU, Kelly Craft, à Assembleia Geral antes da votação.

“Cuba é um contribuinte ativo à instabilidade regional” e “colabora com o antigo regime de (Nicolás) Maduro, perpetuando uma crise humanitária e econômica que se estende para além das fronteiras da Venezuela”, destacou.

“Nossa primeira responsabilidade como líderes é defender aqueles sem voz, hoje em especial o povo de Cuba. Que sejamos cobertos de vergonha se nos recusarmos a levantar nossas vozes em defesa às deles”, afirmou Craft.

O embargo econômico americano a Cuba existe desde 1962, mas as primeiras medidas para isolar a ilha começaram a ser implementadas em 1960, um ano após Fidel Castro tomar o poder.  *Com agências internacionais    

 

 

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