Em sua primeira manifestação sobre a renúncia de Evo Morales da presidência da Bolívia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) usou a crise no país vizinho para voltar a defender o voto impresso, bandeira que defendeu durante seus mandatos como deputado federal.

Em postagem no Twitter, Bolsonaro adotou um tom sóbrio ao falar da crise boliviana. Citou as denúncias de fraudes eleitorais no país vizinho, mas evitou atacar Morales —um dos principais representantes da esquerda latino-americana. Segundo o presidente, a situação deixa a “lição” de que é preciso um sistema contagem de votos “que possa ser auditado”.

Morales foi um dos únicos governantes de esquerda a comparecer na posse de Bolsonaro, em janeiro. Mais cedo, antes da renúncia, o Ministério das Relações Exteriores havia divulgado nota defendendo novas eleições na Bolívia.

O comunicado diz que o Brasil recebeu com “profunda preocupação com as graves irregularidades” apontadas pela OEA (Organização dos Estados Americanos) em auditoria sobre as eleições presidenciais de 20 de outubro, cujos resultados foram divulgados hoje.

Bolsonaro defende o voto impresso como forma de auditagem das urnas eletrônicas desde quando era deputado federal. Em 2015, o então parlamentar do PP conseguiu aprovar sua primeira emenda a uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) justamente sobre o tema: durante a minirreforma eleitoral, conseguiu emplacar a obrigatoriedade da impressão de “recibos” quando o eleitor completasse a votação nas urnas eletrônicas.

Contudo, a medida foi derrubada no ano passado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por 8 votos a 2. Segundo a linha adotada pela maioria dos ministros, a impressão colocava em risco o sigilo do voto e a confiabilidade do processo eleitoral. *Com informações do portal UOL

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