O ex-presidente da Bolívia Evo Morales viajou na noite desta segunda-feira (11) em um avião militar com destino ao México, que lhe concedeu asilo político após sua renúncia, enquanto os militares se uniam à polícia para conter a violência nas ruas do país.

“Irmãs e irmãos, parto rumo ao México, agradecido pelo desprendimento do governo deste povo irmão que nos deu asilo para proteger nossa vida”, declarou Morales.

“É doloroso abandonar o país por razões políticas, mas sempre estarei a disposição. Em breve voltarei com mais força e energia”, tuitou o ex-presidente indígena.

O chanceler mexicano, Marcelo Ebrard, confirmou a partida de Morales de um avião da Força Aérea do México, horas após informar o asilo político por considerar que “sua vida e sua integridade” correm risco na Bolívia.

Em meio à onda de protestos, agora protagonizada por partidários de Morales, as Forças Armadas decidiram realizar operações conjuntas com a polícia para conter a violência em várias regiões do país.

O comandante das Forças Armadas, general William Kaliman, “determinou a execução de operações conjuntas com a polícia para evitar sangue e luto na família boliviana”.

Kaliman determinou à tropa que utilize “a força de forma proporcional contra os atos de vandalismo que causam terror na população”, e recordou que as “Forças Armadas jamais abriram fogo” contra a população.

Em meio à indefinição, a polícia deteve 33 juízes eleitorais por ordem da Procuradoria boliviana, com base na auditoria da OEA sobre as eleições de 20 de outubro.

Os 33 detidos são “vogais do Tribunal Supremo Eleitoral ou dos tribunais eleitorais dos nove departamentos do país”, informou o procurador-geral, Juan Lanchipa.

Segundo o procurador, os detidos “são investigados por conduta antieconômica, prevaricação, manipulação de informação e alteração de dados, entre outros crimes ligados aos resultados das eleições nacionais”.

O gabinete do secretário geral da OEA, Luis Almagro, pediu ao Poder Legislativo da Bolívia reunir-se “de forma urgente” para “assegurar o funcionamento institucional e nomear novas autoridades eleitorais que garantam um novo processo eleitoral”. *Com AFP