A Rússia reconhece Jeanine Añez como presidente interina da Bolívia até a eleição de um novo presidente, embora não considere “legítimo o processo” de saída de Evo Morales do poder, declarou o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Riabkov, nesta quinta-feira.

Em declaração feita a jornalistas, o vice-chanceler russo, Sergei Ryabkov, reconheceu Jeanine Áñez como presidente temporária da Bolívia.

“Nós vemos aqui uma determinada circunstância, que temos em consideração, que será exatamente ela [Jeanine Áñez] que será considerada líder da Bolívia até ser resolvida a questão da sucessão presidencial por meio de eleições”, declarou Ryabkov.

Entretanto, a autoridade russa ressaltou a desconfiança da Rússia pela falta de quórum no parlamento boliviano durante a votação da candidatura de Jeanine Áñez.

Sergei Ryabkov também criticou os eventos antecessores à renúncia do ex-presidente Evo Morales e os categorizou como sendo equivalentes a um golpe de Estado.

A presidente Jeanine Áñez reafirmou que  o desafio do governo é convocar novas eleições o mais rápido possível. “Não aceitarei qualquer outra saída que não sejam eleições democráticas”.

“Convidaremos a Organização dos Estados Americanos e a União Europeia” como observadoras das eleições, disse a nova chanceler Longari, única integrante do gabinete que falou durante a cerimônia de posse. “Faremos o necessário para deixar uma política externa estruturada”, destacou Longari, acrescentando que a Bolívia assumirá um papel “ativo” na diplomacia latino-americana.

Ao nomear a nova cúpula militar, a presidente afirmou que “não há golpe de estado na Bolívia, há sim uma reposição constitucional”. “O único golpista deste país foi Evo Morales”, disse Añez, em referência à decisão do ex-presidente de ignorar o resultado do referendo que negou sua reeleição indefinida, em 2016, e da suposta fraude na apuração das eleições de 20 de outubro. *Com agências internacionais