A renúncia do ex-presidente Evo Morales “contribuiu” para o diálogo, para que a Bolívia “saia pelo caminho democrático” da crise política em que se encontra, disse o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benitez, nesta sexta-feira (15) em entrevista à AFP.

“Creio que a renúncia do presidente Morales contribuiu para que hoje haja um ambiente mais adequado para iniciar um diálogo na Bolívia, e que a Bolívia siga o caminho democrático”, disse o chefe de Estado do Paraguai.

Morales, primeiro presidente de origem indígena e que governou a Bolívia por cerca de 14 anos, renunciou ao cargo no domingo, após perder o apoio das Forças Armadas, depois de três semanas de protestos por sua reeleição em primeiro turno nas questionada eleições de 20 de outubro, marcada por irregularidades de acordo com uma missão de auditoria da Organização de Estados Americanos (OEA). Na terça-feira, ele chegou ao México, onde obteve asilo político.

“Eu não gostaria de comentar em profundidade o processo (político) que a Bolívia está passando”, respondeu, ao ser perguntado se a saída de Evo foi um “golpe de estado”, como apontam os apoiadores do ex-dirigente boliviano.

Abdo expressou seu desejo de que se alcance uma saída pacífica na Bolívia e que “a democracia seja consolidada através do diálogo” e “respeito pelas instituições”.

Desde a questionada eleição presidencial, os protestos de apoiadores e detratores de Morales não cessaram e até agora mataram 10 pessoas e deixaram cerca de 400 feridos.

O presidente paraguaio falou sobre os momentos críticos vividos em 12 de novembro durante a operação de partida de Morales de Cochabamba – centro da Bolívia – e a permissão que ele recebeu para voar para Assunção, para que o avião pudesse reabastecer para seguir viagem para o México.

“O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, ligou para mim para encontrar alternativas para uma saída pacífica”, disse o presidente, pertencente ao partido conservador do Colorado, que também se comunicou com o presidente argentino (Mauricio) Macri e outros chefes de estado da região.

“Concordamos que todos deveriam encontrar uma saída pacífica”, disse ele, observando que o plano era conceder a ele um asilo temporário para ajudar a superar a crise na Bolívia.

Mario Abdo, que diz ter construído “uma boa relação” com Morales, disse que conversou com o embaixador boliviano e com parte do corpo diplomático credenciado em Assunção sobre a possibilidade de conceder asilo no paós para o ex-presidente boliviano.

O Paraguai tem uma tradição secular de asilo. O presidente citou entre seus beneficiários os ex-presidentes argentinos Domingo Faustino Sarmiento e Domingo Perón, o herói uruguaio José Gervasio Artigas e a ex-presidente boliviana Lidia Gueiler.

Atualmente, o ex-governador de Tarija, Mario Cossío, que possui um mandado de prisão na Bolívia, está exilado há 11 anos no Paraguai. *AFP