O número de mortos em quase um mês de manifestações na Bolívia chegou a 23, de acordo com o balanço mais recente da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A Comissão denunciou como “grave” um decreto do governo interino que autoriza os militares a controlar a ordem pública, ao mesmo tempo que isenta os oficiais de responsabilidades penais.

Mas o ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, respondeu à imprensa que o decreto “de nenhuma maneira se transforma em uma licença para matar”.

“É um elemento dissuasivo porque o que o governo pretende é evitar o confronto, que aconteçam mais mortes”, disse Justiniano.

Ao mesmo tempo que enviado da ONU começou a tomar contato com autoridades do governo interino de Jeanine Áñez e organizações sociais para restaurar a paz no país, a CIDH aumentou de cinco para nove o número de mortos nos confrontos entre camponeses e forças combinadas do exército e da polícia na sexta-feira na cidade rural de Cochabamba.

O balanço divulgado pela CIDH coincide com o da Defensoria do Povo de Cochabamba, mas diverge dos números do governo, que mantém em cinco o número de camponeses leais ao ex-presidente Evo Morales mortos na sexta-feira.

A Alta Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, denunciou no sábado “o uso desnecessário e desproporcional da força pela polícia e pelo Exército” que pode levar a situação na Bolívia a “sair do controle”.

– Pedidos de paz –

“Estamos passando por momentos difíceis, pedimos aos movimentos sociais e outras organizações que diminuam as posições. Não podemos viver de luto”, reclamou a presidente da Câmara de Senadores, Eva Copa, do partido de Morales.

“Convocamos a agora situação a poder sentar para dialogarmos sobre as bases nas quais vão ser enquadradas esta convocação e estas [novas] eleições”, disse Copa.

A presidente interina, Jeanine Áñez, denunciou a presença de “grupos subversivos armados” no país, compostos por estrangeiros e bolivianos.

“O propósito é que aconteça uma transição democrática e pacífica, mas infelizmente Evo Morales deixou uma estrutura de violência que está afetando todos nós”, criticou no sábado em contato por telefone com o líder opositor venezuelano Juan Guaidó, a quem exortou “libertar” seu país. *Com informações da AFP