As ervas daninhas podem ajudar a tornar as fazendas mais produtivas e não o oposto, como geralmente se acredita, de acordo com um novo estudo divulgado na sexta-feira (15) pela Escola de Estudos Avançados da Itália, Sant’Anna, localizada na cidade toscana de Pisa.

De acordo com um estudo de três anos liderado por Guillaume Adeux, um estudante de doutorado no programa de Agrobiodiversidade em Sant’Anna, manter um certo nível de biodiversidade nas ervas daninhas que coabitam com as lavouras ajuda a reduzir perdas.

Os resultados do estudo mostram que, por ocuparem os chamados “nichos ecológicos”, certas ervas daninhas impedem que espécies mais invasivas se enraízem e infestem as lavouras, reforçando a hipótese que a biodiversidade é um fator positivo tanto para os ecossistemas criados pelo homem quanto para os naturais.

Isso aponta para uma nova abordagem “agroecológica”, baseada no uso da interação entre diferentes espécies para melhorar o rendimento das culturas, reduzindo a necessidade de fertilizantes e pesticidas e consequentemente seu impacto adverso na saúde humana, informou a Escola Sant’Anna em comunicado.

A abordagem agroecológica está sendo promovida por instituições internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que explica que “a agroecologia se baseia na aplicação de conceitos e princípios ecológicos para otimizar as interações entre plantas, animais, seres humanos e meio ambiente, enquanto toma em consideração os aspectos sociais que precisam ser abordados para um sistema alimentar sustentável e justo”.

No entanto, a comunidade de pesquisa científica ainda não teve participação significativa: o professor de Agronomia da Escola Sant’Anna, Paolo Barberi, afirmou em comunicado que “os resultados dessa pesquisa reforçam nossa convicção de que a abordagem que escolhemos é vencedora. Eu sinceramente espero que em breve possa se tornar o paradigma de referência para a comunidade científica, para o bem da ciência”.

O estudo foi realizado em colaboração com o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA) em Dijon, França e foi publicado na revista científica Nature Sustainability. *Xinhua (Agência de notícias oficial da China)