Em encontro com o presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (20), Carlos Slim Domit, herdeiro do bilionário mexicano Carlos Slim, dono de um império global que inclui a operadora Claro, reclamou da proposta inicial do leilão de 5G e apresentou um plano de investimentos anuais de R$ 11 bilhões nos próximos três anos no país.

Pela empresa no Brasil, participaram do encontro o presidente da Claro Brasil, José Félix, o diretor jurídico, Oscar Peterson, e o vice-presidente de relações institucionais, Fábio Andrade, que integra o Conselho de Comunicação Social da Presidência da República.

Pessoas que participaram da reunião afirmam que a Claro disse ser inoportuna a realização do leilão 5G em 2020. O ideal, para as teles, seria que ocorresse em 2021. Isso porque as empresas ainda têm compromissos de expansão do serviço 4G. Pela lógica de investimento, não será possível ter 5G onde hoje não existe 4G.

A rede de quinta geração exigirá cerca de 15 vezes mais antenas e muito mais capacidade de escoamento de dados pelos cabos que interligam centrais.

Além disso, ainda segundo o que foi discutido com Bolsonaro, a proposta em estudo impediria que as empresas fizessem lances específicos para os blocos de frequência que pretendem arrematar.

Os lances seriam entregues e, de acordo com cada um deles, a Anatel destinaria os blocos para as vencedoras.

No leilão, a agência vende o direito de cada operadora explorar determinadas faixas de frequências, que são como avenidas exclusivas no ar por onde as teles fazem trafegar seus sinais.

Até hoje, as empresas fizeram lances por blocos de frequências previamente conhecidas.

Esse modelo, no entanto, já está sendo debatido pela Anatel. A proposta inicial foi apresentada pelo conselheiro relator do caso, Vicente Aquino.

Ainda não se sabe, por exemplo, o que o governo pretende com a política de investimentos pelas operadoras que vencerem o leilão.

Se as empresas terão, por exemplo, de destinar mais recursos ao reforço das centrais de dados em cada município ou se ampliarão a capacidade das redes existentes.

Bolsonaro disse que o governo busca uma combinação entre melhores recursos técnicos e preço baixo na oferta do serviço 5G no país.

“Nós vamos atrás da técnica e do preço”, disse. “Nós fazemos comércio com o mundo todo, tem mais empresas habilitando também. O que for melhor para o Brasil tecnicamente e financeiramente a gente embarca nessa”, acrescentou o presidente. *Com informações da Folhapress