O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, disse neste sábado (21), na Assembléia Nacional, que 2019 foi “um ano carregado de desafios, tensões e agressões” por parte dos Estados Unidos.

Na presença do primeiro-secretário do Partido Comunista (PCC), Raúl Castro, e do recém eleito primeiro-ministro, Manuel Marrero, Díaz-Canel afirmou que o bloqueio dos Estados Unidos foi “o pior e o mais abrangente dos obstáculos” enfrentados pela ilha nos últimos 12 meses.

Segundo o presidente, o endurecimento do embargo que os Estados Unidos mantêm desde 1962 foi, desde abril, “brutal, demente”, ao ritmo de “uma medida por semana, ou seja, um reviravolta a cada sete dias”, para asfixiar a economia da ilha.

O PIB terminou o ano com um crescimento modesto de 0,5%, enquanto o governo projeta 1% para 2020.

Díaz-Canel disse que as medidas que tentam cortar o abastecimento de petróleo para a ilha pressionam o financiamento e afugentam investimentos.

“Não há uma área livre da caça, do cerco, da perseguição” de Washington, denunciou.

“O inimigo converteu a economia cubana no primeiro alvo a destruir”, acrescentou.

Setembro foi um mês duro para o país, devido à falta de combustível, que obrigou o governo a adotar planos de racionamento.

“Para justificar sua atuação, Washington recorreu novamente a mentiras, com a grosseira acusação de que somos um fator de instabilidade e ameaça para a região, o que desmentimos energicamente”, frisou.

Washington acusa Havana de dar apoio militar ao governo venezuelano de Nicolás Maduro, principal aliado político e fornecedor de petróleo da ilha, assim como de oprimir o povo cubano.

Cuba alega que os poucos mais de 20.000 cubanos que trabalham na Venezuela são médicos, paramédicos e outros profissionais.

O presidente cubano também ratificou que Cuba manterá solidariedade e cooperação com a Venezuela e seu legítimo presidente Nicolás Maduro, bem como com a Nicarágua e o comandante Daniel Ortega.

Ele denunciou que “outro episódio vergonhoso para a região” foi o “golpe de estado” contra Evo Morales, na Bolívia, “promovido pelo governo ianque, as fórmulas usadas na Venezuela de poderes autoproclamados são repetidas”, destacou.

“Manteremos a solidariedade e a cooperação” com a Venezuela, garantiu Díaz-Canel, que também denunciou que os Estados Unidos destinaram cerca de US$ 120 milhões para a “subversão” e a “ingerência” na ilha.

Isso está acontecendo, segundo o presidente, com “um envolvimento de sua embaixada em Cuba nestas ações, em franca violação das leis cubanas e Internacional”, afirmou.

Na véspera das comemorações do final do ano, o presidente convocou que “todos os nossos lugares sejam preenchidos com música e alegria. Existem motivos suficientes para comemorar. No 61º ano da Revolução, eles nos jogaram para matar e estamos vivos ”, concluiu. *AFP/CubaDebate