A Bolívia acusou o México de “violar” as normas internas da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac) convocando reuniões desse órgão para janeiro sem consultar La Paz, que exerce a presidência rotativa, e por conta disso não descarta abandonar o bloco.

A ministra das Relações Exteriores da Bolívia, Karen Longaric, disse nesta segunda-feira que encaminhou uma nota aos embaixadores dos países que compõem a Celac em La Paz, anunciando a posição de seu país nas ações tomadas pelo governo de Andrés Manuel López Obrador, que deve assumir a presidência do bloco em janeiro por um ano.

“O governo mexicano está agindo fora dos procedimentos para o funcionamento orgânico da Celac, ignorando os poderes da presidência pro tempore da Bolívia”, indica uma nota assinada por Longaric.

“Não estamos anunciando a saída da Bolívia, estamos comunicando a todos os países membros da Celac (…) as ações do México, longe de qualquer regra de respeito aos Estados e de interferência nos assuntos internos da Bolívia”, especificou.

As relações entre os dois países ficaram tensas pela decisão mexicana de conceder asilo ao ex-presidente Evo Morales, que renunciou em 10 de novembro, em meio a uma série de protestos e alegações de fraude eleitoral.

A Bolívia assumiu em janeiro deste ano em San Salvador a presidência rotativa da Celac (criada em 2010) com o objetivo de promover um diálogo latino-americano, embora o trabalho do bloco tenha sido praticamente paralisado nos últimos anos, bem como o da União. das Nações Sul-Americanas (Unasul). *AFP