Kiev e separatistas pró-russos no leste da Ucrânia lançaram sua troca de dezenas de prisioneiros neste domingo (29), uma operação que marca uma diminuição no único conflito ativo na Europa, mas não sem causar polêmica.

A presidência ucraniana anunciou nas mídias sociais que a operação “começou no posto de controle de Mayorske na região de Donetsk”.

A mediadora da autoproclamada República de Donetsk, Daria Morozova, disse à mídia russa que das 87 pessoas exigidas pelos separatistas pró-russos, cerca de 20 se recusaram a se render. Kiev, por sua vez, deve receber 55 pessoas.

Kiev não deu números. “Uma auditoria está em andamento”, disse uma fonte ucraniana à AFP.

O princípio da troca antes do final do ano havia sido estabelecido e exigido pelo Sr. Zelensky em 9 de dezembro em Paris, onde a primeira cúpula de paz na Ucrânia foi realizada desde 2016.

Ele encontrou o presidente russo Vladimir Putin lá pela primeira vez, sob os auspícios da França e da Alemanha, um passo adiante, mesmo que a reunião não levasse a progressos concretos na retirada de armas pesadas, a restauração controle de Kiev na sua fronteira com a Rússia ou a organização de eleições locais nessas regiões.

Os diferentes campos parecem ter certas posições irreconciliáveis. Volodymyr Zelensky excluiu assim qualquer possibilidade de votação e de autonomia, desde que grupos armados estivessem “ilegalmente” em território ucraniano. Entenda-se os separatistas e seus patrocinadores russos.

Vladimir Putin novamente deu forte apoio aos rebeldes em 10 de dezembro, descartando qualquer retorno ao controle de fronteira em Kiev. “Posso imaginar o que poderia acontecer de outra maneira. Sebrenica!”, ele lançou, referindo-se ao massacre de 8 mil pessoas em 1995 pelos sérvios da Bósnia. *Com AFP/RFI