Serviço de streaming de música adotará medida em 2020, ano de eleições nos EUA, seguindo exemplo do Twitter, enquanto aumenta a pressão sobre as gigantes da internet para controlar disseminação de notícias falsas.

O serviço de streaming de música Spotify anunciou nesta sexta-feira (27/12) que vai suspender propagandas políticas em sua plataforma já no início de 2020, em meio a preocupações sobre a disseminação de notícias falsas em pleno ano de eleições presidenciais nos Estados Unidos.

A decisão tomada pela empresa, que possui 141 milhões de usuários em todo o mundo, segue medidas semelhantes adotadas por outras gigantes da internet, como Twitter e Google.

O Spotify, que também possui um grande número de assinantes que pagam para utilizar seus serviços sem anúncios publicitários, disse que tomou essa decisão em razão de sua incapacidade de filtrar informações falsas.

“No início de 2020, o Spotify suspenderá a venda de comerciais políticos. Isso inclui conteúdo de propaganda política em nossa categoria apoiada por anúncios e nos podcats originais e exclusivos do Spotify”, disse a empresa em nota.

“Até esse momento, não temos o nível de robustez necessário em nossos processos, sistemas e ferramentas para validar com responsabilidade e avaliar esse conteúdo. Reavaliaremos essa decisão enquanto continuamos a evoluir nossas capacidades”, afirmou um porta-voz da empresa.

O serviço de streaming de música, com sede na Suécia, era visto por alguns estrategistas políticos como um meio importante para atingir o eleitorado mais jovem.

O Twitter anunciou em outubro a proibição de propaganda política em sua plataforma. Serviços como o Facebook e o Google estão sob pressão cada vez maior para controlar ou impedir a circulação de anúncios políticos com informações falsas, incluindo diversas alegações disseminadas pela campanha à reeleição do presidente dos EUA, Donald Trump.

O Google anunciou que não iria mais fornecer aos anunciantes a capacidade de direcionar seu conteúdo através da utilização de dados como registros eleitorais públicos, afiliações políticas e sobre a navegação na internet dos usuários, o chamado microtargeting, que inclui também informações sobre as preferências na plataforma de vídeos Youtube.

Entretanto, as empresas de publicidade que utilizarem o Google ainda poderão ter acesso a outras informações gerais dos usuários como idade, gênero e localização.

O Facebook, a rede social mais utilizada como plataforma para a divulgação de propagandas políticas, mantém a defesa de sua neutralidade em relação ao discurso e aos anúncios políticos, afirmando que cabe ao público e à imprensa verificar as supostas informações falsas. *Deutsche Welle