O governo da Nicarágua concedeu na segunda-feira (30) regime de prisão domiciliar a 91 opositores que foram detidos em diversas protestos contra o governo. 

Entre os libertados, 13 foram presos em 14 de novembro por tentarem ajudar dando água a um grupo de mulheres em greve de fome.

Nessa lista está a líder estudantil de origem belga Amaya Coppens, 25 anos, confirmou à AFP o diretor da organização humanitária Defensores do Povo, Julio Montenegro.

“Sinto uma mistura de alegria ao ver minha família e raiva ao ver como (meus dois irmãos) foram agredidos há alguns dias” por grupos armados durante um protesto pacífico, disse Coppens à AFP, logo após chegar em sua cidade natal de Estelí (norte).

– Torturas denunciadas –

A jovem foi presa pela primeira vez em setembro de 2018 por participar dos protestos que começaram em abril daquele ano contra o governo de Daniel Ortega, no poder há mais de uma década, acusado pela oposição de corrupção.

Segundo Coppens, que da última vez que foi detida passou 46 dias no temido presídio de El Chipote de Manágua, nas prisões existem “casos de tortura e maus-tratos” contra membros da oposição.

A grupo contrário ao governo trabalha há várias semanas numa campanha a favor de um fim de ano sem presos políticos.

Até 27 de dezembro havia nas prisões nicaraguenses 148 opositores detidos, de acordo com a Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia (ACJD).

“Ainda temos irmãos nas celas, o regime deve liberar todos os presos políticos”, exigiu a ACJD através de um comunicado.

O diretor executivo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Pablo Abrao, comemorou no Twitter as “boas notícias sobre a libertação de presos políticos na Nicarágua”.

“Segundo a CIDH, entidade autônoma da Organização dos Estados Americanos (OEA), os confrontos entre manifestantes, policiais e grupos pró-governo iniciados em meados de 2018 deixaram pelo menos 328 mortos, centenas de detidos e 88 mil exilados.

A crise também causou uma profunda recessão econômica na Nicarágua, um dos países mais pobres do hemisfério, deixando mais de 150 mil pessoas desempregadas, segundo o governo, e mais de 400 mil de acordo com o setor privado. *Com informações da AFP