Levantamento realizado em dezembro deste ano em mais de 60 favelas de todos os Estados do país pelos institutos Data Favela e Locomotiva, em parceria com a Central Única das Favelas (CUFA) e a Comunidade Door, mostra que moradores desses conglomerados estão otimistas de que realizarão, por conta própria, os principais sonhos pessoais e profissionais. 

Oito de cada dez moradores acreditam que a vida em 2020 será melhor, seja com respeito às finanças, à saúde ou às relações familiares.

Para 64% dos entrevistados a conquista virá, principalmente, do esforço próprio. Tornar-se um empreendedor é a principal expectativa profissional, ao lado da conquista da casa própria no âmbito pessoal. E os números mostram que se a esperança de realização dos desejos pessoais e profissionais é alta, a de conquistar um sonho coletivo para a comunidade, como mais segurança para os moradores, é baixa.

“A favela continua otimista com relação ao futuro, como já apontavam pesquisas anteriores. Isso tem a ver com o fato de que a crise é regra na favela, não exceção. O otimismo tem muito mais a ver com a confiança no seu esforço do que com uma solução mágica vinda de fora”, explica Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

Mas o maior sonho pessoal do morador da favela é ter a casa própria. Ao todo, 52% dos entrevistados têm certeza que conseguirão realizar seu maior sonho até 2020 e apenas 1% acredita que jamais conseguirá concretizá-los.

Neste lugar onde os governos já falharam tantas vezes em garantir o básico, as mulheres chefiam 49% dos lares. Elas estão ainda mais otimistas que os homens para o ano que vem: 55% acreditam que realizarão seus sonhos até 2020, enquanto só 44% dos homens têm essa mesma confiança.

Ao todo, 30% dos entrevistados colocaram a segurança para os moradores com o principal desejo para o território onde moram. Outros 17% sonham com mais infraestrutura e 12% com melhor acesso à saúde. No entanto, apenas 28% acreditam de fato que podem alcançar seu desejo para a comunidade, informa o El País.