Os Estados Unidos adotarão medidas diante do crescente apoio da Rússia ao governo do venezuelano Nicolás Maduro, que Washington considera uma “ditadura”, advertiu nesta segunda-feira Elliott Abrams, encarregado de Venezuela no departamento americano de Estado.

“Estamos estudando de perto o papel da Rússia e não vamos permitir o nível de apoio que observamos nos últimos meses sem reagir”, disse Abrams a jornalistas.

O funcionário se negou a dizer se Washington adotará sanções específicas contra Moscou por seu apoio a Caracas, mas antecipou que haverá medidas punitivas “adicionais” contra indivíduos e entidades, que se somarão ao pacote já aplicado pelos Estados Unidos para pressionar pela saída de Maduro.

Abrams destacou o maior papel do Kremlin na Venezuela, particularmente “na economia do petróleo”, assinalando que em 2019 o “regime” de Maduro confiou cada vez mais na Rússia.

“As companhias russas agora administram mais de dois terços, mais de 70% do petróleo venezuelano”, afirmou o funcionário, citando as distintas formas pelas quais servem de intermediárias para driblar as sanções americanas sobre a comercialização do produto.

“O papel russo é cada vez mais importante”, destacou Abrams, admitindo que a presença de militares da Rússia na Venezuela não ultrapassa 150 homens.

“Não observamos envolvimento militar, o que vemos é envolvimento econômico”.

Abrams não especulou sobre se Moscou pressionou Maduro para assumir pela força, no domingo, o controle da Assembleia Nacional, controlada pela oposição desde 2015 e que Washington considera o único órgão democrático na Venezuela.

Mas acrescentou que “o Kremlin sabe muito bem que o regime [de Maduro] está cada vez mais fraco” após suas fracassadas tentativas de impedir a reeleição do líder do Parlamento, Juan Guaidó, reconhecido por Estados Unidos e outros 50 países como presidente interino da Venezuela.

“O regime está hoje mais isolado (…). Acredito que não ganharam nada ontem”, avaliou Abrams, destacando a unidade mostrada pela oposição.

Abrams admitiu que os Estados Unidos subestimaram o apoio que Maduro recebe da Rússia e também de Cuba, que contribui “com cerca de 2.500 agentes de inteligência” para as forças de segurança, serviços de inteligência e proteção do Palácio Presidencial.

“Subestimamos a importância do apoio cubano e russo ao regime, que se revelou um dos pilares mais importantes”, sem o qual Maduro “não estaria no poder”.

Abrams estimou que após os incidentes do domingo, que mostraram “a verdadeira cara do regime”, Maduro tem menos apoio até dos governos próximos, como os de México, Argentina e Uruguai.

“Só lhe restam Cuba, Rússia, China e algumas ditaduras no mundo. Está perdendo o apoio não apenas da direita, do centro, mas também da esquerda na América Latina”.

Guaidó, confirmado na véspera por cerca de 100 dos 167 membros da Assembleia Nacional venezuelana, em votação realizada finalmente na sede do jornal El Nacional, recebeu nesta segunda-feira um telefonema do vice-presidente americano, Mike Pence.

“Lhe disse ‘estamos com vocês’ e estaremos com vocês e com o povo da Venezuela até que se restabeleça sua #liberdade!”, tuitou Pence. *AFP